
Os servidores municipais de Teresina enfrentam um fim de ano marcado por apreensão e indignação. Após receberem seus salários na sexta-feira (27), muitos foram surpreendidos com o estorno dos valores em suas contas bancárias. A confusão gerou uma onda de incertezas, especialmente porque o pagamento havia sido autorizado após o desbloqueio das contas da Prefeitura pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE/PI).
A situação escancarou problemas na gestão municipal e levantou questionamentos sobre a transparência e a eficiência administrativa da Prefeitura de Teresina. O episódio expôs falhas na comunicação entre o TCE, a Prefeitura e o Banco do Brasil, responsável pelas operações bancárias. Até o momento, nenhum esclarecimento convincente foi dado, deixando os servidores sem saber se poderão contar com o dinheiro antes da virada do ano.
Além da frustração de iniciar o novo ano sem salários, os servidores enfrentam sérios transtornos financeiros. Muitos relatam que ficaram sem recursos para as despesas básicas, como alimentação, pagamento de contas de energia, água e combustível. A incerteza agrava o desespero, já que o pagamento deveria ser garantido após a liberação do TCE.
Uma professora da rede municipal, que preferiu não se identificar, compartilhou sua angústia:
"Quando vi o saldo na conta, fiquei aliviada. Mas, depois, o valor desapareceu. Entrei no extrato e percebi o estorno. Como vamos pagar as contas? É um descaso total com os trabalhadores", desabafou.
O presidente do TCE, Kennedy Barros, afirmou que os recursos foram desbloqueados exclusivamente para a quitação da folha salarial e que a Prefeitura apresentou os comprovantes de pagamento. "O desbloqueio foi destinado ao pagamento dos servidores, sem possibilidade de uso para outros fins", declarou Barros.
No entanto, o secretário de Planejamento da Prefeitura, João Henrique Sousa, demonstrou surpresa com o problema e não soube explicar o ocorrido. "Os recursos estavam disponíveis e o pagamento foi processado. Estamos tentando contato com o Banco do Brasil para entender o que aconteceu", disse o secretário.
A falta de respostas concretas e a demora para resolver a situação reforçam as críticas à gestão municipal, que falhou em garantir o mínimo de estabilidade financeira para seus servidores.
Nas redes sociais, o vereador Ismael Silva (Progressistas) anunciou que acionou o TCE/PI para apurar o problema e cobrar providências. Contudo, até o momento, nenhuma solução definitiva foi apresentada.
Com o tempo se esgotando para reverter o estorno, os servidores temem entrar em 2025 sem recursos para honrar seus compromissos básicos. A crise expõe a fragilidade administrativa da Prefeitura de Teresina e levanta dúvidas sobre sua capacidade de gerir os recursos públicos com eficiência e responsabilidade.
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