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Após 10 anos, Teresina inaugura Museu da Imagem e do Som em homenagem a Torquato Neto

Novo espaço cultural oferece pinacoteca, estúdios de som e vídeo, biblioteca e áreas de convivência, celebrando a memória e a arte no Piauí

21/12/2024 às 17h56
Por: Douglas Ferreira
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Após 10 anos, Teresina inaugura Museu da Imagem e do Som em homenagem a Torquato Neto

Depois de uma década de reformas e adiamentos, o Museu da Imagem e do Som (MIS) foi finalmente inaugurado em Teresina na noite desta sexta-feira (20). Localizado no histórico prédio do Centro Comercial da capital, onde já funcionaram a Câmara Municipal e o Banco do Brasil, o espaço promete se tornar um marco para a memória cultural do e Estado do Piauí.

Um tributo à cultura piauiense

O MIS leva o nome do poeta Torquato Neto, um dos ícones do movimento Tropicália, como forma de homenagem à sua contribuição para a cultura nacional. Presente na cerimônia de inauguração, o ex-ministro Moreira Franco, que conviveu com Torquato, no Rio de Janeiro, destacou a relevância do tributo ao artista.

“Torquato Neto marcou a história da cultura brasileira em um período difícil, no qual as liberdades eram cerceadas. Esta homenagem é mais do que merecida e também tem um significado pessoal para mim, pois fomos companheiros de infância”, afirmou Franco.

Estrutura moderna e multifuncional

Com um investimento inicial de R$ 6 milhões, o MIS conta com mais de 4 mil metros quadrados e oferece uma estrutura moderna e versátil. O espaço inclui uma pinacoteca, salas de edição de vídeo, gravação de som, digitalização de fotografias, biblioteca, auditório, restaurante, cafeteria, área para lojas e um salão externo para eventos.

Durante a cerimônia, o prefeito Dr. Pessoa celebrou a entrega do museu e destacou sua importância como um legado para a cultura local.

“Este museu será a casa dos produtores culturais do Piauí. São 10 ambientes que servirão de palco para artistas da terra, tornando-se um dos espaços mais qualificados para a cultura do Nordeste”, afirmou o prefeito.

Evento de inauguração e celebração

A inauguração contou com a apresentação emocionante da Orquestra Sinfônica de Teresina, regida pelo maestro Aurélio Melo. O evento reuniu autoridades, secretários e artistas locais, que celebraram a nova fase cultural da cidade.

Roncalli Filho, superintendente da SAAD Centro, destacou o esforço coletivo para a concretização do museu.

“Este espaço é um marco para a revitalização do Centro de Teresina. Foram anos de dedicação e trabalho árduo para que esse sonho se tornasse realidade. Hoje, celebramos não só a cultura, mas também a memória viva de Torquato Neto”, afirmou.

Um polo de cultura e inovação

O MIS chega como um espaço multifuncional para preservação da memória e estímulo à produção artística local. Com infraestrutura moderna e tecnologia de ponta, promete atrair visitantes e artistas, fortalecendo o cenário cultural do Piauí e colocando Teresina em destaque no mapa cultural do Brasil.

Torquato Neto: O anjo torto que revolucionou a cultura brasileira

Poeta, compositor e agitador cultural, Torquato Neto nasceu em Teresina, Piauí, no dia 9 de novembro de 1944. Desde cedo, demonstrou talento para a poesia e inquietação artística. Filho de uma professora e de um defensor público, deixou a capital piauiense na adolescência para estudar fora, iniciando sua trajetória no cenário cultural nacional.

Protagonista da Tropicália

Nos anos 1960, Torquato Neto emergiu como uma das figuras centrais do movimento Tropicália, um marco na música e na arte brasileira. Esse movimento mesclou tradição e vanguarda, promovendo uma revolução estética e comportamental em meio à repressão do regime militar.

Ao lado de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Chico Buarque e Edu Lobo, Torquato participou da construção de um estilo inovador que desafiou convenções. Suas letras abordavam temas como liberdade, contracultura e crítica social, tornando-se símbolos de resistência.

Além da música

Torquato também brilhou no cinema marginal, atuando em filmes como Nosferatu no Brasil e A Múmia Volta a Atacar, de Ivan Cardoso. Em 1972, dirigiu Terror da Vermelha, rodado em Teresina, consolidando seu papel como criador inquieto e experimental.

No jornalismo, manteve a coluna “Geleia Geral” no jornal Última Hora, na qual debatia temas polêmicos, como os direitos autorais e a crítica ao Cinema Novo e à música comercial. Suas provocações intelectuais estimularam discussões profundas sobre arte e sociedade.

 

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