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Geração 'Neno': O drama dos jovens fora do trabalho e da escola no Ceará

Com 8 a cada 10 jovens que não estudam nem trabalham fora da busca por emprego, Estado enfrenta desafios urgentes de educação, qualificação e segurança pública para evitar o colapso social

20/12/2024 às 10h14
Por: Douglas Ferreira
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Juventude cearense sem perspectiva de futuro - Foto: Reprodução
Juventude cearense sem perspectiva de futuro - Foto: Reprodução

Os números falam alto e claro, e a realidade que eles traduzem é alarmante. No Ceará, 8 em cada 10 jovens que não trabalham e não estudam sequer procuram emprego. Este dado, extraído da "Síntese de Indicadores Sociais 2024" do IBGE, expõe uma geração marcada pelo desalento e pela exclusão do mercado de trabalho e do sistema educacional.

Em 2023, 482 mil jovens cearenses, entre 15 e 29 anos, estavam fora da força de trabalho. Entre os 600 mil dessa faixa etária avaliados, 117,6 mil buscavam ativamente emprego, mas sem sucesso. Embora o total represente uma queda de 10,72% em relação ao ano anterior, a taxa permanece no segundo maior nível desde 2012.

Quem são os “Nenos” e por que desistem?

O IBGE agora utiliza o termo "Neno" (não estuda e não ocupado) para abranger um espectro mais amplo de realidades. Alguns cuidam de afazeres domésticos, enfrentam problemas de saúde ou simplesmente desistiram diante da falta de oportunidades.

Entre os jovens de 25 a 29 anos, a desistência do mercado de trabalho é mais acentuada, enquanto a faixa de 15 a 17 anos apresenta a maior taxa de exclusão, embora, segundo especialistas, o mercado não seja o lugar ideal para adolescentes nessa idade.

Educação e qualificação como pilares de transformação

Para Alesandra Benevides, professora de Economia da UFC e diretora do EducLab, iniciativas como o programa "Pé-de-Meia", que incentiva a permanência de jovens na escola, são um passo na direção certa. No entanto, ela alerta para a necessidade de políticas públicas consistentes que integrem educação básica de qualidade e formação técnico-profissional, visando romper o círculo vicioso da falta de qualificação.

“Precisamos olhar para as séries iniciais, porque é lá que começa o processo de evasão que culmina no abandono do ensino médio”, defende a especialista.

Violência e falta de segurança pública

Outro desafio grave é o aliciamento de jovens por facções criminosas, alimentado por um contexto de vulnerabilidade econômica e a ausência de políticas públicas efetivas. “A intermitência das políticas públicas agrava o problema. Precisamos de estratégias de longo prazo para evitar que esses jovens sejam deixados à margem da sociedade”, acrescenta Benevides.

O futuro em jogo

A exclusão juvenil não é apenas um problema presente; seus efeitos reverberam no futuro do mercado de trabalho e na sustentabilidade econômica do Estado. Sem a inclusão dessa parcela da população, o Ceará corre o risco de perpetuar um ciclo de pobreza e desigualdade.

Investir em educação, segurança e programas de qualificação é urgente. Afinal, cada jovem que desiste de estudar ou trabalhar não é apenas uma estatística - é uma história interrompida e um futuro que deixa de ser construído.

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