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Economia LEILÃO DE DÓLAR

Banco Central intensifica ação para conter disparada do dólar, mas enfrenta dificuldades; leilão de US$ 3 bilhões anunciado

Leilão de US$ 3 bilhões será realizado nesta quinta-feira para tentar conter a disparada da moeda americana, que pressiona inflação e eleva incertezas econômicas

19/12/2024 às 06h41
Por: Douglas Ferreira
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BC realiza leilão para conter escalada do dólar - Foto: Reprodução
BC realiza leilão para conter escalada do dólar - Foto: Reprodução

Dificuldades no controle do dólar

O Banco Central (BC) anunciou um novo leilão de venda de dólares à vista para esta quinta-feira (19), no valor de até US$ 3 bilhões, na tentativa de conter a disparada da moeda americana, que fechou esta quarta-feira cotada a R$ 6,2657, um recorde nominal histórico. Apesar das sucessivas intervenções, que já somam mais de US$ 12,7 bilhões desde o dia 12, a autoridade monetária enfrenta dificuldades em frear o avanço da divisa.

O principal motivo por trás da alta persistente do dólar é a combinação de fatores internos e externos:

  • Risco fiscal elevado: Incertezas sobre o compromisso do governo com a responsabilidade fiscal têm pressionado o real.
  • Cenário global adverso: A busca por segurança, impulsionada por temores de recessão nos EUA e desaceleração global, fortalece o dólar frente a outras moedas.
  • Saída de capitais: Investidores estrangeiros têm retirado recursos do país, alimentando a pressão sobre o câmbio.

Medidas adicionais possíveis

Se os leilões à vista não surtirem efeito, o Banco Central pode adotar medidas complementares, como:

  1. Aumento na oferta de swaps cambiais: Instrumento que protege investidores da oscilação do dólar sem impactar diretamente as reservas internacionais.
  2. Intensificação de leilões de linha com recompra: Estratégia que injeta liquidez temporária no mercado cambial.
  3. Elevação da taxa básica de juros (Selic): Uma decisão mais drástica, mas que teria impacto colateral no custo do crédito e na atividade econômica.

Impactos na economia brasileira

A escalada do dólar traz reflexos diretos e indiretos à economia:

  • Inflação: O repasse do câmbio elevado aos preços de combustíveis, alimentos e produtos importados pode pressionar ainda mais o custo de vida.
  • Endividamento: Empresas com dívidas em dólar enfrentam custos maiores, o que pode gerar dificuldades financeiras.
  • Exportações: Embora favoreça setores exportadores, a alta do dólar encarece insumos importados, neutralizando parte dos ganhos.

Quem paga a conta?

No curto prazo, o consumidor sente diretamente o impacto, com preços mais altos nos supermercados e nas bombas de combustível. No longo prazo, o aumento da dívida pública, por conta de juros mais altos e intervenções cambiais, pode recair sobre a sociedade, por meio de impostos ou cortes em investimentos.

Com o mercado à espera de medidas mais eficazes, o desafio do BC é equilibrar a contenção da alta do dólar sem comprometer as reservas internacionais e o crescimento econômico do país.

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