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Dólar atinge R$ 6,16 com novas projeções de alta da Selic e incertezas fiscais

Decisão do Banco Central reflete a pressão cambial e a desconfiança do mercado sobre o pacote fiscal do governo, que ainda aguarda votação no Congresso

17/12/2024 às 09h43
Por: Wagner Albuquerque
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Foto: Reprodução
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Após elevar a Selic, taxa básica de juros, em 1 ponto percentual, para 12,25% ao ano na última semana, o Copom indicou que outras altas de mesma magnitude devem ocorrer nas próximas duas reuniões, previstas para o início de 2025. Caso isso se confirme, a Selic pode atingir o patamar de 14,25% ao ano. 

O Banco Central (BC) justificou a decisão destacando dois fatores principais: a disparada do dólar nas últimas semanas e a percepção negativa de agentes econômicos em relação ao pacote de corte de gastos proposto pelo governo. Esses elementos foram apontados como determinantes para o aumento da taxa e a projeção de novas elevações.

O pacote fiscal, apresentado no final de novembro com a promessa de economizar R$ 70 bilhões em dois anos, ainda aguarda votação no Congresso Nacional. O governo tenta viabilizar a aprovação nesta semana, antes do recesso parlamentar de fim de ano.

Veja abaixo o resumo dos mercados:

Dólar
Às 09h08, o dólar subia 0,92%, cotado a R$ 6,1500, e chegou a R$ 6,1640 na máxima do dia. Na sessão anterior, a moeda norte-americana avançou 0,99%, encerrando cotada a R$ 6,0942, um novo recorde nominal (sem ajuste pela inflação), com pico de R$ 6,0980.

Com o resultado, acumulou:  
- ganhos de 0,99% na semana;  
- alta de 1,56% no mês;  
- avanço de 25,59% no ano.  

Ibovespa
O Ibovespa iniciou o pregão às 10h. Na véspera, o índice recuou 0,84%, encerrando aos 123.560 pontos.

Com o resultado, acumulou:  
- queda de 0,84% na semana;  
- perda de 1,68% no mês;  
- recuo de 7,92% no ano.  

O que está mexendo com os mercados?  
Um dia após intervir na taxa de câmbio por meio da venda de dólares no mercado à vista e leilões, o BC reforçou que continuará aumentando a Selic para conter a inflação, que tem sido fortemente influenciada pelo câmbio.  

Segundo o BC, "o repasse do câmbio para os preços aumenta quando a demanda está mais forte, as expectativas (de inflação) estão desancoradas (acima das metas) ou o movimento cambial é considerado mais persistente". A instituição afirmou que monitorará de perto os efeitos da taxa de câmbio e das condições financeiras nos preços e na atividade econômica.  

Sobre o pacote fiscal do governo, o BC destacou que "a percepção dos agentes econômicos afetou, de forma relevante, os preços de ativos, assim como as expectativas, especialmente o prêmio de risco, as expectativas de inflação e a taxa de câmbio".  

Tensão no cenário fiscal  
A agenda fiscal permanece no radar dos investidores. Na última segunda-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, visitou o presidente Lula, que se recupera de uma cirurgia na cabeça realizada no domingo (15).  

No encontro, Haddad discutiu a reforma tributária e o pacote fiscal enviado ao Congresso. Segundo o ministro, o presidente fez um apelo para que as medidas não sejam "desidratadas" pelos parlamentares.  

"O presidente disse ontem que ninguém se preocupa mais com a questão fiscal quanto ele. Por isso, o apelo que ele está fazendo é para que as medidas não sejam desidratadas", afirmou Haddad.  

O pacote inclui uma proposta para limitar o aumento do salário mínimo, o que, segundo o governo, pode gerar uma economia de R$ 70 bilhões em dois anos. Outra medida, relacionada à reforma tributária, envolve a exclusão de armas do chamado "imposto do pecado", que seria aplicado a produtos prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, como cigarros e bebidas alcoólicas.  

Haddad afirmou que a expectativa é que a reforma tributária seja sancionada ainda este ano, com ajustes pontuais entre Câmara e Senado sobre questões como tributação de armas e outros produtos.  

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