
O município de Nova Olinda do Maranhão, no interior do Estado, vive um caos político e judicial após a eleição municipal de outubro, marcada por uma apertada vitória de Ary Menezes (PP), que superou a candidata adversária, Thaymara Amorim (PL), por apenas dois votos. O resultado, que já causava polêmica, transformou-se em um caso de polícia, com o vice-prefeito eleito, Ronildo da Farmácia (MDB), preso, e o prefeito eleito considerado foragido.
As acusações contra Ary Menezes e seus aliados envolvem compra de votos, aliciamento, intimidação e ameaças a eleitores. Segundo a Polícia Federal, o grupo criminoso investigado teria oferecido dinheiro e materiais de construção em troca de apoio político. Há relatos de eleitores que receberam propostas explícitas para "vender" seus votos, o que foi comprovado por meio de vídeos e depoimentos coletados durante a investigação.
Um dos casos mais emblemáticos foi o do lavrador Danilo Santos, que relatou ter negociado 1.500 telhas, 20 sacos de cimento e madeira para a construção de sua casa em troca de seu voto. Após a eleição, Danilo afirmou que não recebeu o material completo e foi ameaçado quando cobrou o restante do acordo. "Dois dias depois da eleição, um caminhão da prefeitura retirou as telhas da minha casa", contou ele, em um depoimento exibido pelo Fantástico.
As investigações culminaram na Operação Cangaço Eleitoral, deflagrada pela Polícia Federal, que resultou no cumprimento de 13 medidas judiciais, incluindo mandados de prisão e busca e apreensão. Entre os presos estão Ronildo da Farmácia, vice-prefeito eleito, Apolinário Pereira da Silva, sogro de Ary Menezes, e um segurança do prefeito eleito. Ary Menezes, apontado como líder do esquema criminoso, não foi localizado e é considerado foragido.
Caso as acusações de compra de votos sejam comprovadas, Ary Menezes e Ronildo da Farmácia podem ser declarados inelegíveis, além de responderem por crimes eleitorais e, possivelmente, formação de organização criminosa. As penas podem incluir cassação dos mandatos e detenção.
No plano político, a judicialização do caso levanta questões sobre o futuro do município. Se comprovada a fraude eleitoral, o Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE/MA) poderá convocar novas eleições. Outra possibilidade seria a posse da segunda colocada, Thaymara Amorim, caso ela obtenha decisão favorável em processos judiciais.
O episódio gera revolta e desconfiança entre os moradores de Nova Olinda. O uso de práticas ilegais para influenciar resultados eleitorais não apenas fere a democracia, mas também reforça a vulnerabilidade de comunidades que frequentemente se tornam reféns de esquemas políticos corruptos.
Enquanto o desfecho judicial ainda se desenrola, o caso de Nova Olinda do Maranhão serve como um alerta sobre a fragilidade do sistema eleitoral em algumas regiões do Brasil e a necessidade de maior fiscalização para garantir que a vontade popular seja respeitada.
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