
Nos Estados Unidos, a crise habitacional se agrava, com uma demanda de 4,5 milhões de novas moradias. Ao mesmo tempo, antigos shoppings estão sendo abandonados, com 3,16 milhões de metros quadrados de espaços comerciais vazios. Esse cenário tem levado desenvolvedores a transformar shoppings em complexos residenciais. Essa solução alia conveniência, com localização estratégica e infraestrutura pronta, à necessidade de revitalizar áreas urbanas. Um exemplo é o Arcade Mall, em Providence, Rhode Island, que foi convertido em microapartamentos, trazendo vida a um espaço que antes estava em decadência.
A transformação de shoppings em moradia oferece vantagens. Essas estruturas já estão conectadas a rodovias, transporte público e possuem amplo estacionamento, reduzindo custos de construção. Além disso, a integração de moradias com comércio, restaurantes e lazer pode criar bairros dinâmicos, onde moradores desfrutam de praticidade e os comerciantes ganham um público garantido. Projetos como o Flatiron Crossing, no Colorado, mostram como comunidades de uso misto podem revitalizar economias locais e oferecer soluções habitacionais modernas.
No Brasil, com o aumento das compras online e a queda no movimento dos shoppings, essa tendência poderia ser replicada. Diversos centros comerciais enfrentam dificuldades em atrair público, especialmente em grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. A transformação desses espaços em moradias seria uma forma de aproveitar terrenos bem localizados e atender à crescente demanda por habitação em áreas urbanas. Além disso, cidades menores, onde shoppings estão se tornando obsoletos, poderiam adotar essa ideia para evitar o abandono de espaços comerciais.
Ainda assim, aplicar essa tendência no Brasil exigiria superar barreiras. O zoneamento urbano no país é um entrave, assim como nos Estados Unidos. Muitos shoppings são destinados exclusivamente ao comércio, e transformar esses locais em moradias requer mudanças legais e aprovação de órgãos municipais, o que pode ser demorado. Além disso, o custo de adaptação de estruturas antigas e a dificuldade de financiamento em um cenário de juros altos são desafios significativos para os desenvolvedores brasileiros.
Outro aspecto importante é o impacto cultural. No Brasil, shoppings são mais do que espaços de compras; eles funcionam como pontos de encontro e lazer, especialmente em cidades onde há poucas áreas públicas de qualidade. Transformá-los em moradias poderia mudar essa dinâmica. No entanto, com planejamento, é possível criar comunidades integradas que mantenham espaços para convivência, lazer e comércio, beneficiando moradores e a economia local.
Com shoppings enfrentando um futuro incerto tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil, a adaptação desses espaços representa uma oportunidade. Transformá-los em moradias pode revitalizar bairros, atender à demanda habitacional e oferecer uma alternativa sustentável ao abandono de grandes estruturas. Com políticas públicas que incentivem essas iniciativas e adaptem a legislação, o Brasil poderia seguir o exemplo americano e explorar todo o potencial dessa ideia inovadora.
Piauí

Ao lado do Shopping Rio Poty, em Teresina, está em construção o La Reserve da Sá Calvalcante, um condomínio de alto padrão que promete trazer ainda mais sofisticação à região. A torre única, com 26 andares, contará com 40 unidades de 279m², incluindo apartamentos com quatro suítes, quarto de serviço e duas coberturas de 513m², com cinco suítes e 10 vagas de garagem. Esse projeto pode ser visto como uma indicação de que os empresários do Piauí estão se adaptando à nova realidade, investindo em empreendimentos que aliam a proximidade com grandes centros comerciais e a demanda por moradias de alto padrão, respondendo à transformação do mercado imobiliário e do consumo na região.
Em queda
A “Era dos Shoppings” nos Estados Unidos está em declínio, com o número de unidades operando caindo de 2,5 mil na década de 1980 para apenas 700 atualmente, segundo Nick Egelanian, da consultoria SiteWorks. Ele prevê que, em dez anos, esse número pode diminuir para 150. A ascensão das compras online, aliada à pandemia e à inflação, acelerou esse processo, deixando muitos espaços vazios e fora de uso. O fotógrafo Matthew Christopher documenta o fechamento desses shoppings, como o emblemático Randall Park Mall, em Ohio, que já foi o maior do mundo e acabou demolido para dar lugar a um centro logístico da Amazon. Essa tendência reflete a perda de relevância dos shoppings tradicionais, que nos anos 2000 foram superados por grandes varejistas como o Walmart.
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