
Após 25 anos de negociações, o Mercosul e a União Europeia (UE) anunciaram nesta sexta-feira (6) o fechamento de um acordo comercial durante a 65ª Cúpula do Mercosul, em Montevidéu, no Uruguai. O tratado criará uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, abrangendo cerca de 700 milhões de consumidores e um PIB conjunto de US$ 21,3 trilhões.
O anúncio foi feito pelo presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou, atual líder do Mercosul, e pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, com a presença dos líderes do Brasil, Argentina e Paraguai. O texto ainda precisará ser aprovado pelos parlamentos dos países envolvidos antes de entrar em vigor.
Luis Lacalle Pou destacou a importância do acordo para o futuro dos países membros, ressaltando que o sucesso dependerá da velocidade de implementação em cada nação. Já Ursula von der Leyen afirmou que o tratado reforça valores como justiça e respeito mútuo, além de ser um passo para cumprir o Acordo de Paris e promover a preservação ambiental.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou a conclusão das negociações, destacando que o texto atual é mais equilibrado e reconhece os compromissos ambientais do Mercosul. Ele enfatizou que o acordo demonstra a importância da integração regional em um cenário econômico e geopolítico global cada vez mais desafiador.
Apesar do avanço, o acordo enfrenta resistência, especialmente da França, que considera o texto atual inaceitável. O governo francês teme impactos no setor agrícola devido à competitividade dos produtos sul-americanos e exige garantias ambientais e trabalhistas mais rígidas. A validação do acordo ainda depende da aprovação no Conselho e no Parlamento Europeu.
Do lado do Mercosul, especialistas apontam benefícios significativos para o agronegócio brasileiro, com maior acesso ao mercado europeu. Por outro lado, há preocupações sobre os impactos na indústria nacional, que enfrentará maior concorrência de produtos europeus mais competitivos.
Estudos estimam que o acordo poderá gerar um incremento de 0,46% ao ano no PIB brasileiro e ampliar as exportações em 3%. Além disso, compromissos com sustentabilidade e redução tarifária prometem fortalecer as relações comerciais e atrair investimentos para os países do Mercosul.
Os Estados Partes Signatários do MERCOSUL – a República da Argentina, a República Federativa do Brasil, a República do Paraguai e a República Oriental do Uruguai – e a União Europeia anunciaram, na 65ª Reunião de Cúpula do MERCOSUL (Montevidéu, 6 de dezembro de 2024), a conclusão final das negociações de um Acordo de Parceria entre as duas regiões, após mais de duas décadas de negociações.
Tomando em conta o progresso realizado nas últimas décadas até junho de 2019, o MERCOSUL e a União Europeia engajaram-se, desde 2023, em intenso processo de negociações para ajustar o acordo aos desafios atuais enfrentados nos níveis nacionais, regionais e global. Nos últimos dois anos, as duas partes realizaram sete rodadas de negociações, entre outras reuniões, e comprometeram-se a revisar as matérias relevantes.
À luz do progresso alcançado desde 2023, o Acordo de Parceria entre o MERCOSUL e a União Europeia está agora pronto para revisão legal e tradução. Ambos os blocos estão determinados para conduzir tais atividades nos próximos meses, com vistas à futura assinatura do acordo.
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