
O apoio que se transformou em decepção
Nas eleições de 2022, um grupo considerável de empresários, incluindo micro, pequenos, médios e até grandes empreendedores, inclusivem o mercado financeiro apostou na candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva. Muitos ignoraram a falta de clareza no plano de governo apresentado por Lula e o PT, movidos por promessas de estabilidade econômica e um discurso alinhado a setores produtivos.
Agora, 90% do mercado financeiro avaliam negativamente o governo, conforme pesquisa da Genial/Quaest, revelando uma grave crise de confiança. A desilusão é evidente: aqueles que antes acreditaram na narrativa presidencial agora se veem preocupados com a gastança pública, descontrole fiscal, alta inflação e juros elevados.
No início de 2023, a relação entre o mercado e o governo já não era positiva: 90% dos agentes do mercado financeiro desaprovavam o governo. No entanto, houve um breve momento de melhora, com 20% do mercado sinalizando confiança no governo em 2024. Essa esperança foi minada após o lançamento atrapalhado do pacote fiscal pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Os números de avaliação positiva despencaram para 3%, enquanto 90% voltaram a considerar o governo ruim ou péssimo. A desconfiança é agravada pela percepção de falta de credibilidade do arcabouço fiscal, que 58% dos entrevistados consideram sem nenhuma credibilidade e 42% acreditam ser insuficiente para resolver os problemas econômicos.
Na inauguração de uma planta de celulose da Suzano, Lula minimizou a pesquisa, afirmando que "ganhou" 10% do mercado, quando na verdade a variação foi de apenas 3%. A fala irônica tenta mascarar a realidade: a relação entre o governo e os agentes econômicos está cada vez mais desgastada, e o impacto disso extrapola os índices de pesquisa.
O descontentamento do empresariado e do mercado financeiro pode gerar consequências graves para a economia e a política:
Embora o governo tente minimizar a crise de confiança, o empresariado exige ações concretas que vão além de retórica e deboche. Sem reformas estruturais e uma política fiscal séria, a insatisfação pode aumentar ainda mais, aprofundando os desafios econômicos e políticos do Brasil nos próximos anos.
A dúvida que permanece é: até onde vai a paciência do setor produtivo com as promessas não cumpridas? O tempo está contra o governo, e o impacto dessa deterioração de confiança já começa a ser sentido nas projeções nada animadoras para 2025.
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