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Economia DEBOCHE

Mercado desiludido: a realidade desesperançosa de quem “fez o L” em 2022

Apoio inicial ao governo Lula se transforma em insatisfação massiva do mercado financeiro e do empresariado com os rumos econômicos do país

05/12/2024 às 19h15 Atualizada em 05/12/2024 às 19h26
Por: Douglas Ferreira
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Lula debocha da pesquisa em evento da Suzano - Foto: Reprodução
Lula debocha da pesquisa em evento da Suzano - Foto: Reprodução

O apoio que se transformou em decepção

Nas eleições de 2022, um grupo considerável de empresários, incluindo micro, pequenos, médios e até grandes empreendedores, inclusivem o mercado financeiro apostou na candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva. Muitos ignoraram a falta de clareza no plano de governo apresentado por Lula e o PT, movidos por promessas de estabilidade econômica e um discurso alinhado a setores produtivos.

Agora, 90% do mercado financeiro avaliam negativamente o governo, conforme pesquisa da Genial/Quaest, revelando uma grave crise de confiança. A desilusão é evidente: aqueles que antes acreditaram na narrativa presidencial agora se veem preocupados com a gastança pública, descontrole fiscal, alta inflação e juros elevados.

A deterioração da confiança

No início de 2023, a relação entre o mercado e o governo já não era positiva: 90% dos agentes do mercado financeiro desaprovavam o governo. No entanto, houve um breve momento de melhora, com 20% do mercado sinalizando confiança no governo em 2024. Essa esperança foi minada após o lançamento atrapalhado do pacote fiscal pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Os números de avaliação positiva despencaram para 3%, enquanto 90% voltaram a considerar o governo ruim ou péssimo. A desconfiança é agravada pela percepção de falta de credibilidade do arcabouço fiscal, que 58% dos entrevistados consideram sem nenhuma credibilidade e 42% acreditam ser insuficiente para resolver os problemas econômicos.

Lula responde com deboche, mas os problemas são reais

Na inauguração de uma planta de celulose da Suzano, Lula minimizou a pesquisa, afirmando que "ganhou" 10% do mercado, quando na verdade a variação foi de apenas 3%. A fala irônica tenta mascarar a realidade: a relação entre o governo e os agentes econômicos está cada vez mais desgastada, e o impacto disso extrapola os índices de pesquisa.

Impactos econômicos e políticos

O descontentamento do empresariado e do mercado financeiro pode gerar consequências graves para a economia e a política:

  • Retração de investimentos: A falta de confiança no governo pode levar empresas a adiarem ou cancelarem projetos de expansão, prejudicando o crescimento econômico.
  • Pressão sobre juros: Sem um plano fiscal confiável, o Banco Central pode manter juros elevados, dificultando o acesso a crédito e desacelerando ainda mais a economia.
  • Instabilidade política: A insatisfação crescente pode alimentar movimentos de oposição mais articulados, dificultando a governabilidade de Lula.

O que o futuro reserva?

Embora o governo tente minimizar a crise de confiança, o empresariado exige ações concretas que vão além de retórica e deboche. Sem reformas estruturais e uma política fiscal séria, a insatisfação pode aumentar ainda mais, aprofundando os desafios econômicos e políticos do Brasil nos próximos anos.

A dúvida que permanece é: até onde vai a paciência do setor produtivo com as promessas não cumpridas? O tempo está contra o governo, e o impacto dessa deterioração de confiança já começa a ser sentido nas projeções nada animadoras para 2025.

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