
O mercado financeiro é essencialmente pragmático: opera com dados e resultados. Os agentes do setor querem lucrar, facilitar o crédito, ampliar vendas e pagar juros baixos — elementos que sustentam uma economia sólida. Não há espaço para ilusões, apenas para o que funciona. Exemplos como o da Argentina mostram que políticas de assistencialismo desenfreado podem devastar uma economia, como aconteceu lá. No fim, o mercado é feito por pessoas que, acima de tudo, buscam sobreviver em um ambiente de riscos e oportunidades, onde a confiança e a estabilidade são indispensáveis.
Uma nova pesquisa da Genial/Quaest, divulgada na última quarta-feira (4), revela um aumento na reprovação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre profissionais do mercado financeiro. O levantamento, realizado com gestores, economistas, analistas e traders de fundos de investimento, indica que 90% dos entrevistados avaliam negativamente a gestão, um salto em relação aos 64% registrados em março. O índice retorna ao patamar do início do mandato, quando nove em cada dez já tinham percepção negativa.
A pesquisa foi realizada entre os dias 29 de novembro e 3 de dezembro, com 105 entrevistas junto a fundos de investimento sediados em São Paulo e no Rio de Janeiro. O levantamento também reflete a reação do mercado ao recente pacote de ajuste fiscal anunciado pelo governo, o que agravou o descontentamento. A avaliação regular do governo caiu de 30% para 7%, enquanto a aprovação recuou de 6% para apenas 3%.
O Congresso Nacional também não escapou das críticas. A reprovação ao desempenho do Legislativo subiu de 17%, em novembro do ano passado, para 41% nesta edição da pesquisa. No Senado, há expectativa de que Davi Alcolumbre (União-AP), apontado como possível sucessor de Rodrigo Pacheco (PSD-MG), adote uma postura mais oposicionista ao governo. Na Câmara, o cenário é o oposto, com 63% apostando que Hugo Motta (Republicanos-PB) será mais alinhado ao Palácio do Planalto do que o atual presidente, Arthur Lira (PP-AL).
A pesquisa também abordou as eleições presidenciais de 2026. Para 70% dos entrevistados, Lula tentará a reeleição, embora 66% não o vejam como favorito. Na ausência de Jair Bolsonaro, cuja inelegibilidade é acompanhada pela expectativa de prisão segundo 55% dos entrevistados, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), é apontado como o principal nome da direita. Caso Lula não dispute, 82% acreditam que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, será o candidato da esquerda.
Por fim, o levantamento apontou as lideranças políticas que mais despertam confiança no mercado. Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, é o mais bem avaliado, com 70% de confiança. Em contrapartida, Lula e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, têm os piores índices, com 97% dos entrevistados declarando confiar pouco ou nada em ambos. O futuro presidente do BC, Gabriel Galípolo, ainda desperta desconfiança de 55% dos participantes.
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