
A cultura woke, que ganhou força nos Estados Unidos em 2020, começa a apresentar sinais de declínio. Dados da revista The Economist mostram que, naquele ano, cerca de 15% dos americanos consideravam a pauta racial a mais importante do país. Hoje, esse número caiu para 5%. Esse enfraquecimento reflete mudanças no panorama social e político, com o movimento antirracista radical perdendo parte de sua influência.
O termo “woke”, derivado de “awake” (acordado), tornou-se amplamente conhecido durante os protestos que seguiram a morte de George Floyd. Filmada pelas câmeras dos policiais, a cena chocante gerou uma onda de manifestações em todos os estados americanos. Sob o grito de “Black Lives Matter” (Vidas Negras Importam), a pauta racial ocupou o centro do debate público, trazendo mudanças significativas em universidades, empresas e políticas públicas.
No entanto, excessos associados ao movimento começaram a gerar críticas, inclusive dentro da própria esquerda. Barack Obama, em 2020, alertou sobre a intolerância e a falta de disposição para o diálogo na cultura woke. Desde então, medidas como a proibição de ações afirmativas em universidades, decidida pela Suprema Corte dos EUA, marcaram reveses importantes para o movimento. O caso foi emblemático para o enfraquecimento da pauta racial no cenário político americano.
Outro fator que contribuiu para essa mudança foi a série de escândalos envolvendo figuras centrais do movimento. Líderes do Black Lives Matter, como Patrisse Cullors, foram acusados de mau uso de doações milionárias, enquanto intelectuais como Ibram X. Kendi enfrentaram investigações por má gestão de recursos. Essas controvérsias colocaram em xeque a credibilidade do movimento e afastaram apoiadores.
No Brasil, a cultura woke também parece estar perdendo força. Importada diretamente dos EUA, ela encontrou espaço em debates sobre racismo, gênero e diversidade. Contudo, sinais de mudança começam a aparecer, com uma diminuição da influência de figuras que popularizaram essas pautas no país. O caso mais notório é o do ex-ministro dos Direitos Humanos Silvio Almeida, afastado após acusações de assédio sexual, o que gerou desgaste em sua imagem.
Além disso, movimentos culturais e editoriais indicam um interesse menor por temas identitários. Nas grandes livrarias, obras de cunho marxista ou focadas em debates woke já não ocupam o destaque de anos atrás. Segundo o professor Pedro Caldeira, isso reflete um esgotamento das ideias radicais que marcaram a militância de esquerda nos últimos anos.
Apesar do aparente retrocesso, especialistas acreditam que o legado da cultura woke continuará presente em várias esferas, especialmente na luta por igualdade. No entanto, o momento atual parece indicar que as abordagens mais radicais estão cedendo espaço a debates mais moderados, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.
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