Domingo, 28 de Junho de 2026
28°

Tempo nublado

Teresina, PI

Economia IMPACTO NOS JUROS

Corte fiscal e alta da Selic: especialistas alertam para impactos econômicos

Pacote de Haddad pode levar a aumento de 0,75% nos juros; entenda as preocupações e consequências

29/11/2024 às 08h54
Por: Douglas Ferreira
Compartilhe:
Para especialistas Copom deve elevar juros em 0,75% na próxima reunião - Foto: Reprodução
Para especialistas Copom deve elevar juros em 0,75% na próxima reunião - Foto: Reprodução

O recente pacote de ajuste fiscal anunciado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reacendeu as preocupações do mercado financeiro sobre a sustentabilidade da política econômica do Brasil. A avaliação predominante é que as medidas, consideradas insuficientes, podem levar o Comitê de Política Monetária (Copom) a elevar a taxa Selic em 0,75 ponto percentual na próxima reunião, marcada para 11 de dezembro.

O que justifica a preocupação?

  1. Fragilidade fiscal: o pacote promete economizar R$ 70 bilhões, mas especialistas questionam a viabilidade dessa meta e sua eficácia para estabilizar a relação dívida-PIB a longo prazo.
  2. Falta de clareza: a ausência de detalhes sobre como as medidas serão implementadas aumenta a desconfiança do mercado e gera dúvidas sobre o comprometimento do governo com o equilíbrio fiscal.
  3. Aceleração do aperto monetário: na última reunião, o Copom já havia elevado a Selic em 0,5 ponto percentual e enfatizado a necessidade de ações fiscais estruturais.

Impactos econômicos do aumento da Selic

Caso a Selic suba em 0,75 ponto percentual, chegando a 13,25% ao ano, os efeitos na economia podem incluir:

  • Endividamento mais caro: financiamentos, empréstimos e dívidas das empresas e consumidores terão custos elevados, reduzindo o consumo e o investimento.
  • Controle inflacionário: uma taxa mais alta pode conter a inflação, mas à custa de desaceleração econômica.
  • Dificuldade para o setor produtivo: a alta nos juros tende a impactar negativamente a geração de empregos e o crescimento do PIB.
  • Reação do mercado financeiro: a postura mais dura do Banco Central pode trazer alívio temporário para investidores, mas a incerteza sobre a política fiscal pode minar a confiança.

Avaliação do pacote pelo mercado

Especialistas destacam que o anúncio do corte fiscal, apesar de ser um passo positivo, não trouxe a confiança esperada. “Ter algo é melhor do que nada, mas as expectativas ficaram abaixo do necessário para o equilíbrio fiscal”, afirmou Gabriel Rech, da Macro Assessoria de Investimentos.

O economista-chefe da G5 Partners, Luís Otávio de Souza Leal, compartilha da mesma visão de que "a reação negativa do mercado ao pacote fiscal deixa claro que uma elevação mais acelerada da Selic, de 0,5 para 0,75 ponto percentual, é o mínimo que se pode esperar na próxima reunião do Copom". Leal já incluiu em suas projeções um aumento de 0,75 ponto na Selic para o dia 11 de dezembro.

Papel do Banco Central

O próximo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, evitou comentar diretamente o pacote fiscal, mas reconheceu que os indicadores apontam para a necessidade de juros elevados. Isso reforça a expectativa de uma postura mais contracionista do Copom nas próximas decisões.

Conclusão
O anúncio do pacote fiscal expôs as fragilidades do governo na condução da política econômica. O provável aumento da Selic para conter os efeitos dessa incerteza pode trazer consequências severas para a economia real, reforçando a urgência de um plano fiscal mais robusto e detalhado.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários