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Economia BOLSA FURADA

Bolsa brasileira enfrenta pior desempenho desde 2015

Valorização do dólar e desconfiança estrangeira pressionam desempenho do Ibovespa

25/11/2024 às 11h21 Atualizada em 25/11/2024 às 11h28
Por: Wagner Albuquerque
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Foto: Reprodução
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Entre os altos e baixos do mercado de capitais em 2024, os baixos têm predominado. Dados da consultoria Elos Ayta mostram que o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira (B3), acumulou uma queda de 21,28% até 21 de novembro, marcando o pior desempenho do indicador em dólares desde 2015, quando recuou 41,03%.

Einar Ribeiro, autor da análise, aponta que a valorização do dólar em relação ao real é um dos fatores principais para esse cenário. “Neste ano, o dólar Ptax, que é a taxa de referência divulgada pelo Banco Central, subiu 20,16%, tornando os investimentos no Brasil menos atrativos para o capital estrangeiro”, explica.

Efeito cambial agrava perdas

O fortalecimento do dólar afeta diretamente o retorno de investidores internacionais no Brasil, observa Ribeiro. Ele destaca que, em reais, o Ibovespa já acumulava uma queda de 5,41% no ano, mas, ao ser convertido em dólares, o resultado se agrava. “O investidor estrangeiro, que já percebe o Brasil como um mercado volátil, agora enxerga um risco ainda maior.”

Ribeiro lembra que há uma relação histórica entre a valorização do dólar e o desempenho negativo do Ibovespa em dólares. Em 2002, por exemplo, a moeda americana subiu 52,27%, enquanto o índice caiu 45,5%. Já em 2009, quando o dólar recuou 25,49%, o Ibovespa em dólares registrou alta de 145,16%.

Setores mais afetados

O setor aéreo está entre os mais penalizados neste ano. As ações da Azul caíram 74,74% em dólares, sendo a maior baixa do Ibovespa no período. Empresas de serviços educacionais também sofreram duras perdas: Cogna (-68,52%) e Yduqs (-62,18%). No varejo, Magazine Luiza viu suas ações despencarem 64,56%, enquanto no setor alimentício, Carrefour e Assaí registraram quedas de 57,82% e 57,31%, respectivamente.

“O cenário para os próximos meses segue desafiador”, avalia Ribeiro. “Enquanto o real continuar se desvalorizando, o investidor estrangeiro seguirá cauteloso. E o humor desse investidor é determinante para o desempenho da nossa Bolsa.”

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