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Arte Santeira em Madeira e igreja de Teresina reconhecidas como patrimônio cultural do Brasil

Iphan oficializa o registro da Arte Santeira em Madeira do Piauí e o tombamento da Igreja de Nossa Senhora de Lourdes, fortalecendo a memória cultural e religiosa da região

12/11/2024 às 14h26 Atualizada em 13/11/2024 às 16h04
Por: Wagner Albuquerque Fonte: Agência Brasil e CNN Brasil
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Arte Santeira em Madeira, do Piauí, foi reconhecida como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Iphan - Foto: Márcia Shoo/CNFCP-IPHAN
Arte Santeira em Madeira, do Piauí, foi reconhecida como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Iphan - Foto: Márcia Shoo/CNFCP-IPHAN

A Arte Santeira em Madeira do Piauí e a Igreja de Nossa Senhora de Lourdes, localizada em Teresina, foram oficialmente reconhecidas como Patrimônio Cultural do Brasil. A decisão foi anunciada nesta segunda-feira (11) durante a 106ª Reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O reconhecimento inclui o registro da Arte Santeira no Livro das Formas de Expressão e o tombamento da igreja nos Livros do Tombo das Belas Artes, Histórico, e Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico.

A Igreja de Nossa Senhora de Lourdes, construída nas décadas de 1960 e 1970, é conhecida como “Igreja Vermelha” devido à sua aproximação com as classes trabalhadoras. Ela já havia recebido um tombamento provisório em 2011, mas agora a proteção é definitiva, incluindo bens móveis, como bancos, genuflexórios, o forro, a gruta de pedra, além do Sacrário com moldura e base de madeira.

O conselheiro José Reginaldo Gonçalves ressaltou a importância simbólica da igreja, que tem forte ligação com os artistas santeiros do Piauí. Segundo ele, a construção reflete os ideais da Teologia da Libertação, que priorizava igrejas simples e acessíveis ao povo. “A arte em madeira é simbólica e socialmente parte inseparável desse discurso”, afirmou Gonçalves, destacando a relevância social e religiosa do acervo da igreja.

A Arte Santeira em Madeira do Piauí se caracteriza pela produção de esculturas tridimensionais, oratórios, painéis e peças de mobiliário, utilizando madeira como matéria-prima. A manifestação cultural carrega referências religiosas, paisagens locais e elementos do cotidiano piauiense, resultando em peças únicas e de grande valor artístico.

O processo de reconhecimento começou em 2008, quando o Mestre Expedito protocolou um pedido no Iphan, com apoio de 20 assinaturas, para registrar o Ofício e Modos de Fazer Arte Santeira. Em 2011, a prática foi incluída no Inventário Nacional de Referências Culturais, e, em 2019, pesquisas de campo e eventos com as comunidades de Teresina e Parnaíba fortaleceram o dossiê de registro.

Além de Teresina, a Arte Santeira tem forte presença em cidades como Parnaíba, Campo Maior, Pedro II e José de Freitas, reunindo cerca de 50 santeiros em atividade. Cada artista desenvolve um estilo próprio, com peças que retratam elementos típicos da fauna e flora locais, como carnaúbas e mandacarus, conferindo identidade única às suas criações.

Após o reconhecimento da Arte Santeira em Madeira como Patrimônio Cultural, o Iphan anunciou a elaboração de um Plano de Salvaguarda. O documento servirá como base para políticas públicas que garantam a preservação e sustentabilidade do bem cultural, com participação ativa dos santeiros e de instituições parceiras.

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