
No dia 10 de outubro, os taiwaneses celebram sua data nacional, um marco que remonta à Revolta de Wuchang, de 1911, que derrubou a última dinastia chinesa, a Qing, e levou à criação da República da China em 1912. Durante as comemorações deste ano, o presidente de Taiwan, Lai Ching-te, fez um discurso que provocou a ira de Pequim ao afirmar que Taiwan não está subordinada à China e que esta não tem o direito de representar a ilha.
O presidente de Taiwan, amplamente criticado pela China como um separatista, colocou Taiwan e China em igualdade no cenário internacional. Ele ainda conclamou o governo chinês a cooperar com a ilha em temas globais urgentes, como as mudanças climáticas e o combate a doenças infecciosas. Pequim respondeu prontamente, acusando Lai de propagar “falácias” sobre a independência de Taiwan e de intensificar as tensões no Estreito de Taiwan.
A retórica não ficou apenas nas palavras. O Exército Popular de Libertação da China iniciou imediatamente manobras militares, batizadas de “Espada Conjunta B”, simulando um bloqueio naval ao redor de Taiwan. Essa é a segunda vez que tal exercício ocorre em 2024, sendo a primeira em maio, logo após a posse de Lai Ching-te. O exercício envolveu ataques simulados a áreas terrestres e marítimas, e a escala e agressividade foram superiores às de ações anteriores.
O governo taiwanês relatou que, no último dia 14, um recorde de 125 aeronaves militares chinesas voaram em direção à ilha. Além disso, a China interditou seis áreas marítimas ao redor da ilha principal de Taiwan, bem como três regiões próximas aos arquipélagos de Quemoy e Matsu, controlados por Taiwan, mas localizados próximos à costa chinesa. A presença de navios de guerra chineses, incluindo o porta-aviões Liaoning, e da guarda costeira nas áreas interditadas aumentou a pressão sobre Taiwan.
Pela primeira vez, o mapa dos exercícios militares incluiu áreas dentro da “Zona Contígua” de Taiwan, região que, de acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (UNCLOS), estende-se por até 24 milhas náuticas além do mar territorial. A incursão chinesa nessa zona reforça a capacidade de Pequim de isolar Taiwan e intensificar a pressão sobre a ilha.
Com o uso crescente de navios da Guarda Costeira em vez de navios de guerra, a China parece explorar uma estratégia que mantém a escalada dentro da chamada “Zona Cinzenta”, onde o conflito armado é evitado, mas a pressão aumenta. As manobras “Espada Conjunta B” e a retórica cada vez mais dura de ambos os lados mostram que a tensão no Estreito de Taiwan continua a crescer, em um cenário global já marcado pela instabilidade.
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