
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) chega às últimas horas antes da votação em tom de confiança. Neste sábado (3), véspera do primeiro turno, o senador intensificou a agenda em São Paulo e voltou a trabalhar publicamente com a possibilidade de uma vitória já na primeira rodada.
Durante a mobilização, Flávio pediu que eleitores que não têm motivo para votar nele reconsiderem a escolha e optem pelo candidato do PL para evitar um segundo turno. Segundo relato do UOL, ele argumentou que uma nova etapa da disputa poderia prolongar por mais 21 dias uma campanha que classificou, em sua própria avaliação, como especialmente dura.
O movimento ocorre em paralelo à motocarreata no interior paulista, entre Santa Bárbara d’Oeste e Americana, com a participação do governador Tarcísio de Freitas. O percurso, de aproximadamente 20 quilômetros, reuniu apoiadores e candidatos ao Senado.
A estratégia não é casual. São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro concentram cerca de 40% do eleitorado brasileiro, e as duas principais campanhas presidenciais escolheram o Sudeste para os últimos atos antes das urnas. Flávio ainda tinha uma segunda motocarreata prevista no Rio de Janeiro.
O discurso de confiança da campanha do PL acontece, porém, em um cenário de pesquisas divergentes. O Datafolha, divulgado em 1º de outubro, registrou Lula com 45% e Flávio com 40% dos votos válidos no primeiro turno. No cenário de segundo turno, apontou 48% para Lula e 45% para Flávio.
Já o Gerp, divulgado neste sábado, apresentou um cenário diferente em uma eventual segunda rodada, com Flávio numericamente à frente de Lula por 53% a 47% dos votos válidos.
A pesquisa CNT/MDA, também divulgada neste sábado, mostrou Lula com 47,8% dos votos válidos no primeiro turno e Flávio com 42,1%. Em eventual segundo turno, registrou 47,3% para Lula e 43,1% para Flávio.
É justamente nessa fotografia contraditória que a campanha do PL procura construir sua narrativa de reta final: transformar a percepção de crescimento e os cenários favoráveis de algumas pesquisas em mobilização por voto útil.
O discurso de vitória no primeiro turno, portanto, aparece como estratégia política da campanha e não como resultado antecipado das urnas. A resposta definitiva será dada pelos eleitores neste domingo (4).
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