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Performance ou polêmica? O limite da liberdade no ambiente acadêmico

A performance erótica de Tertuliana Lustosa levanta questionamentos sobre a necessidade de limites na pluralidade acadêmica

18/10/2024 às 10h13 Atualizada em 18/10/2024 às 11h19
Por: Douglas Ferreira
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A provocação de Tertuliana Lustosa ecoou na grande mídia - Foto: Reprodução
A provocação de Tertuliana Lustosa ecoou na grande mídia - Foto: Reprodução

Não há dúvidas de que o ambiente acadêmico é e deve ser plural, acolhendo a diversidade em todas as suas formas. No entanto, quando essa pluralidade atravessa fronteiras e entra no campo da polêmica, a questão que surge é: o que se ganha com isso? Essa é a reflexão que o Brasil tem feito após o vídeo da historiadora Tertuliana Lustosa viralizar nas redes sociais. Durante uma palestra na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Lustosa subiu em uma cadeira, levantou o vestido e expôs suas partes íntimas em uma performance descrita como "erótica". Em meio à apresentação, que fazia parte do I Encontro de Gênero da instituição, ela declarou: “Educando com o c*”.

A performance, que poderia ser vista como uma provocação artística, levantou uma série de perguntas. Até onde vai a liberdade de expressão acadêmica? A pluralidade, um dos pilares das universidades, precisa de tais atos para avançar debates ou ela esbarra no bom senso? A fala de Lustosa, ainda que carregada de ironia e desafio, deixou o ambiente acadêmico perplexo, ao passo que as redes sociais rapidamente dividiram opiniões. Alguns apoiaram a ousadia da historiadora; outros, contudo, enxergaram um desrespeito ao espaço que deveria ser destinado à construção do conhecimento.

A UFMA, em resposta à repercussão, afirmou que "tomará as providências cabíveis" e reforçou seu compromisso com um ambiente inclusivo. No entanto, o questionamento permanece: é necessário trazer performances que flertam com a vulgaridade para discussões acadêmicas, mesmo em um encontro sobre gênero e suas interseccionalidades? Tertuliana Lustosa, com 26,9 mil seguidores no Instagram e conhecida por sua música provocativa "Murro na costela do viado", defende que a universidade é, sim, um lugar para o "proibidão". Em sua rede social, ela convidou o público a conhecer sua pesquisa, intitulada "Educando com o C*".

É fato que a academia tem um papel crucial em desafiar normas e questionar conceitos estabelecidos. No entanto, há uma linha tênue entre a provocação construtiva e a criação de polêmicas vazias. A liberdade de expressão é essencial, mas, quando usada sem critério, pode fragilizar o próprio propósito de ampliação do conhecimento. Se o objetivo é tensionar debates, a polêmica gerada por Lustosa levanta a dúvida: estamos realmente avançando ou apenas alimentando o espetáculo?

A história recente nos lembra que este tipo de situação não é isolada. Apenas algumas semanas atrás, o governo Lula foi criticado por uma dança erótica no Ministério da Saúde. Se por um lado vivemos em tempos de ampliação dos debates sobre gênero, sexualidade e liberdade, por outro, é preciso considerar se esse tipo de performance é a maneira mais eficaz de abrir novas frentes de diálogo ou se apenas cria mais ruído em um ambiente que deveria ser focado em desenvolvimento intelectual.

Diante disso, a academia – embora plural e diversa – precisa reavaliar como conduz suas fronteiras de expressão. Afinal, provocação sem substância pode não contribuir para o avanço que tanto se busca.

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A NOTÍCIA E O FATO
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Sobre Douglas Ferreira é multimídia. Além de jornalista, é bacharel em Direito. Foi repórter da TV Clube, afiliada da Rede Globo, por 10 anos e, em Caxias, no Maranhão, apresentou o programa “Fala Caxias”. Fundou e dirigiu por seis anos a Folha do Cocais. Foi secretário de Comunicação da Prefeitura de Caxias e retornou a Teresina como âncora da TV Meio Norte. Por 20 anos, reportou e apresentou na TV Antena 10, afiliada da Record. Também foi assessor de imprensa do Tribunal de Justiça do Piauí e passou por rádios e pelos maiores portais do Estado. Sua vida é o jornalismo. No Sistema Move de Comunicação, foi editor do Portal Move Notícias e apresentador do Business Cast, do canal movetvweb no YouTube. Agora, está à frente do Gazeta Hora1.
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