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Política FALTOU, O EU APOIO!

Rafael falou, Gracinha também. Mas Mão Santa não disse uma palavra sobre apoio ao PT. Por quê?

A aproximação da família Mão Santa com Rafael Fonteles está oficializada pela fala de Gracinha, mas permanece uma pergunta incômoda: por que o ex-governador, ex-senador e histórico crítico do PT não explicou publicamente sua posição?

20/09/2026 às 14h12 Atualizada em 20/09/2026 às 14h28
Por: Douglas Ferreira Fonte: !
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Tem fotografia? Tem. Mas tem apoio? - Foto: Reprodução
Tem fotografia? Tem. Mas tem apoio? - Foto: Reprodução

O assunto do momento em Parnaíba não é outro: o apoio da família Mão Santa, representada politicamente pela deputada estadual Gracinha Moraes Sousa, ou simplesmente Gracinha Mão Santa, à candidatura de reeleição do governador Rafael Fonteles (PT).

A aproximação vinha sendo construída há algum tempo. Gracinha deixou o Progressistas, ingressou no MDB e, depois de romper politicamente com o atual prefeito de Parnaíba, Francisco Emanuel, passou a emitir sinais cada vez mais claros de que poderia abandonar a trincheira oposicionista. Até que o apoio a Rafael acabou sendo anunciado.

Neste sábado, a aproximação ganhou fotografia, presença política e declarações públicas. Rafael falou. Gracinha falou. Outros personagens da aliança também apareceram. E Mão Santa estava lá.

Mas há um detalhe que chamou a atenção — justamente porque talvez seja o detalhe mais importante da história: Mão Santa não fez, publicamente, uma declaração de apoio ao governador Rafael Fonteles ou ao PT.

E aqui é preciso separar as coisas. Estar presente, receber alguém em casa, posar para uma fotografia ou participar de um encontro político não é, necessariamente, o mesmo que anunciar apoio eleitoral. O que estamos registrando é mais simples: até o momento, não encontramos uma manifestação pública de Mão Santa dizendo, com todas as letras, que apoia a candidatura de Rafael Fonteles.

Quem falou foi Rafael.

“Começou com uma parceria administrativa, que agora se torna uma aliança política. E vai expandir nossa atuação na Grande Parnaíba. Estou feliz com o apoio da família. Aumenta nossa responsabilidade”, declarou o governador.

Quem também falou foi Gracinha.

“Começou com desconfiança. Mas ele sabe que eu ligo até de madrugada, e ele me atende. A gente discutiu, a gente aprende com os erros. Hoje o que eu tenho de dizer: Rafael é um homem de palavra”, afirmou a deputada.

E Mão Santa?

Silêncio.

E não é qualquer silêncio.

Estamos falando de Mão Santa, um dos políticos mais conhecidos do Piauí, ex-governador, ex-senador, ex-prefeito de Parnaíba e, durante décadas, um dos mais contundentes críticos do PT e dos governos petistas.

É justamente por isso que a ausência de uma declaração pessoal chama atenção.

Porque existe uma frase que Mão Santa repetiu tantas vezes que acabou incorporada à sua própria identidade política: “Tem três coisas que você só faz uma vez na vida: nascer, morrer e votar no PT.”

A frase está registrada, inclusive, nos arquivos do Senado Federal.

Agora, diante de uma aproximação política da família com um governador do PT, seria natural esperar que o próprio Mão Santa explicasse ao eleitorado parnaibano como enxerga esse novo cenário.

Mudou de opinião?

Reavaliou o PT?

Trata-se apenas de uma aproximação administrativa?

Apoia Rafael?

Ou simplesmente está acompanhando a decisão política da filha sem necessariamente assumir, pessoalmente, uma posição eleitoral?

São perguntas legítimas. E nenhuma delas pode ser respondida pelo jornalista no lugar do personagem.

É justamente por isso que Mão Santa precisa falar.

Não porque uma fotografia obrigue alguém a declarar apoio. Não porque receber Rafael em casa signifique automaticamente aderir ao PT. E muito menos porque o silêncio permita concluir que exista constrangimento ou divergência.

Mas porque a história política de Mão Santa torna sua manifestação especialmente relevante.

A política muda. Alianças mudam. Adversários de ontem podem ser aliados de amanhã. Isso faz parte do jogo democrático.

O que não muda é a necessidade de explicar ao eleitor quando uma trajetória política toma uma direção diferente daquela defendida durante décadas.

E talvez seja exatamente aí que esteja o motivo do silêncio.

Afinal, como explicar ao eleitor que “votar no PT” já foi, para Mão Santa, uma das três coisas que ninguém deveria fazer duas vezes — e que agora sua família aparece ao lado de um governador petista em uma aliança política?

Essa resposta, até aqui, não veio de Mão Santa.

Rafael falou. Gracinha falou. A fotografia falou. O release falou. Mas Mão Santa, não.

E talvez seja justamente por isso que todo mundo esteja querendo saber o que ele tem a dizer.

O registro do momento da declaração de apoio de Gracinha Mão Santa à campanha de Rafael Fonteles: 

E agora, o momento de gratidão de Rafael Fonteles ao apoio de Gracinha Mão Santa à sua campanha:

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