
Setembro chegou. E, com ele, chegou também o B-R-O Bró.
Para quem não sabe do que se trata, é o período que corresponde aos meses terminados em “bro”: setembro, outubro, novembro e dezembro. Daí vem a expressão popular que o piauiense conhece muito bem: B-R-Ó BRÓ.
É justamente a época mais quente e seca do ano no Estado.
E o que isso tem a ver?
Ora, nesse período, a temperatura no Nordeste — e, em especial, no Piauí — aumenta sensivelmente. Em muitas cidades, os termômetros chegam ou passam dos 40 graus centígrados.
Detalhe: na sombra.
Agora imagine viver em uma temperatura tão elevada durante boa parte do dia. E, mesmo à noite, o clima permanece quente.
Nesta quarta-feira, 16, os moradores de Oeiras, no Sertão do Piauí, enfrentaram novamente uma situação de calor extremo. O município já havia registrado 41,3°C e apenas 14% de umidade relativa do ar no dia 2 de setembro, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET).
Foi um Deus nos acuda.
A resposta é simples e direta: crianças e idosos.
Mas, em Oeiras, há um agravante.
Sim. Agravante.
Um fator que transforma a cidade quase num “micro-ondas”.
Verdade.
Como se não bastasse a temperatura superior a 40°C, os moradores, inclusive crianças e idosos, estão convivendo com outro problema: a fumaça.
Sim. Fumaça de queimadas no entorno da cidade.
A combinação não poderia ser pior: calor extremo, umidade muito baixa, vegetação seca e fumaça.
A própria Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Piauí (Semarh) vem alertando para temperaturas de até 41°C, umidade inferior a 15% e aumento do risco de queimadas e incêndios florestais.
Essa prática é muito comum no campo, em todo o Piauí. Vez por outra, uma queimada foge do controle — e os resultados podem ser devastadores.
O problema é que, quando a fumaça chega às áreas habitadas, deixa de ser apenas uma questão ambiental. Passa a ser também uma questão de saúde pública.
É justamente nesse cenário que ganha importância a denúncia do jornalista e radialista Josafá Torres, de Oeiras.
O comunicador relata a situação enfrentada pelos moradores e chama atenção para o impacto do calor e da fumaça sobre a população.
Mais do que uma discussão sobre temperatura, o relato de Josafá coloca em evidência aquilo que os números dos termômetros não conseguem mostrar: as pessoas que precisam continuar trabalhando, circulando pela cidade e, sobretudo, procurando atendimento médico em meio a uma situação climática extrema.
E é aí que surge outro ponto preocupante denunciado pelo radialista: a situação na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Oeiras.
Segundo o relato de Josafá, a unidade estaria enfrentando um cenário de grande pressão, com moradores buscando atendimento em meio às condições adversas.
A denúncia precisa ser apurada pelas autoridades responsáveis e pela própria administração da unidade. Mas o relato de quem acompanha diariamente a realidade local não pode simplesmente ser ignorado.
Josafá já é um comunicador conhecido em Oeiras e, em 2025, chegou a denunciar publicamente ameaças que afirmou ter recebido após fazer críticas em seu programa de rádio.
Isso dá dimensão ao papel que o jornalista exerce na comunidade: dar voz a situações que chegam até ele por meio dos moradores.
O problema ganha proporções ainda maiores quando se considera quem está mais exposto.
Crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios são particularmente vulneráveis às condições provocadas pelo calor extremo, pela baixa umidade e pela fumaça.
Em Oeiras, os registros recentes mostram a intensidade da situação.
No dia 2 de setembro, a cidade chegou a 41,3°C, a maior temperatura registrada no Brasil naquele dia, acompanhada de umidade relativa do ar de apenas 14%.
No dia 13, Oeiras voltou a registrar 40,7°C, enquanto a umidade chegou a apenas 12%, segundo informações baseadas no monitoramento da Semarh.
E setembro está apenas começando.
B-R-Ó BRÓ é a expressão popular usada no Piauí e em outras áreas do Nordeste para descrever o período mais quente e seco do ano, que vai de setembro a dezembro.
O nome vem da junção das últimas sílabas dos quatro meses:
setemBRO
outuBRO
novemBRO
dezemBRO
A expressão virou parte do vocabulário e da cultura piauiense justamente porque traduz uma experiência que quem vive no Estado conhece muito bem.
É o período em que o sol parece castigar mais, a vegetação seca, a umidade despenca e o risco de queimadas aumenta.
E quando o fogo aparece, vem a fumaça.
Quando a fumaça chega, vem o desconforto respiratório.
E quando a população começa a adoecer, vem a pressão sobre as unidades de saúde.
É uma cadeia de problemas que começa no clima, mas termina atingindo diretamente a vida das pessoas.
O piauiense já sabe:
Chegou setembro, prepare-se.
Água por perto.
Protetor solar.
Cuidado redobrado com crianças e idosos.
Evitar exposição prolongada ao sol.
E, quando houver fumaça, atenção especial às pessoas com problemas respiratórios.
Porque o B-R-O Bró não é apenas uma expressão engraçada criada pelo piauiense.
É uma experiência climática que mexe com a rotina, a saúde e o cotidiano de milhares de pessoas.
E, em Oeiras, a denúncia de Josafá Torres acrescenta uma preocupação a mais: o que acontece quando uma população castigada pelo calor e pela fumaça precisa recorrer a uma unidade de saúde que também estaria enfrentando dificuldades para atender à demanda?
Essa é uma pergunta que merece resposta.
Porque o B-R-O Bró está apenas começando.
E ainda vêm outubro, novembro e dezembro.
Ou, traduzindo para o bom piauiense:
o calor ainda vai apertar muito
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