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Política ABASTECIMENTO D'ÁGUA

Ciro endurece críticas à falta d’água no Piauí e diz que solução depende de gestão e cobrança

Em mega encontro em Teresina, senador responsabiliza a concessionária pelos problemas de abastecimento, cobra eficiência e afirma que, se eleito, Joel Rodrigues deverá exigir resultados ou rever a concessão

11/09/2026 às 16h54 Atualizada em 11/09/2026 às 17h34
Por: Douglas Ferreira
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Ciro Nogueira endureceu as críticas contra os problemas de abastecimento registrados em municípios piauienses - Foto: Reprodução
Ciro Nogueira endureceu as críticas contra os problemas de abastecimento registrados em municípios piauienses - Foto: Reprodução

A falta d’água deixou de ser apenas uma reclamação isolada de moradores e passou a ocupar o centro do discurso político da oposição no Piauí. Durante um mega encontro que reuniu cerca de 2 mil pessoas em Teresina, na noite desta quinta-feira (10), o senador e candidato à reeleição Ciro Nogueira endureceu as críticas contra os problemas de abastecimento registrados em municípios piauienses e responsabilizou a gestão da concessionária Águas do Piauí pela qualidade do serviço.

Diante de apoiadores, Ciro foi aplaudido ao questionar como um Estado com recursos hídricos e rios importantes atravessando sua capital ainda pode conviver com comunidades enfrentando períodos prolongados sem água. O senador citou relatos de municípios que estariam há semanas sem abastecimento regular e também apontou problemas na própria Teresina.

“Entregaram a água do Piauí para pessoas que não têm capacidade. Onde é que existe? E disseram que tem uma cidade ali há 30 dias sem água no Piauí, falta água na capital, tem problema com dois rios atravessando essa cidade. Isso é muita incompetência, falta dedicação, isso é falta de compromisso”, afirmou.

A crítica atinge diretamente o modelo de gestão dos serviços de abastecimento e saneamento no Estado. Para Ciro, não basta uma concessionária assumir a operação: é preciso entregar aquilo que está previsto no contrato e garantir que a população tenha acesso regular a um serviço essencial.

O senador foi além e colocou a futura gestão de Joel Rodrigues diante de uma cobrança política explícita. Segundo Ciro, caso Joel seja eleito governador, deverá exigir resultados da empresa responsável pelo abastecimento. “Você vai ter que exigir uma entrega de qualidade, ou então vamos cassar a concessão e botar pessoas de bem para gerir a água do Piauí”, declarou.

A declaração coloca a questão da água no centro da disputa eleitoral e transforma um problema cotidiano em uma das principais bandeiras da oposição. Afinal, para o cidadão que abre a torneira e não encontra água, pouco importa a dimensão dos projetos anunciados: o que importa é se o serviço chega à sua casa.

Ciro também procura sustentar seu discurso com ações realizadas durante sua trajetória parlamentar. Em sua propaganda eleitoral, o senador afirma que é possível enfrentar o problema da falta d’água e cita recursos destinados para a construção de centenas de poços e de mais de 60 sistemas de abastecimento, segundo os dados apresentados por sua campanha.

Ainda de acordo com essas informações, os investimentos teriam beneficiado mais de 58 mil famílias piauienses. A estratégia é clara: mostrar que existem soluções possíveis quando há recursos, planejamento e articulação política.

Mas existe uma diferença importante entre destinar recursos para ampliar a infraestrutura hídrica e resolver definitivamente o problema do abastecimento. A existência de poços e sistemas construídos não elimina, por si só, falhas de operação, manutenção, distribuição ou gestão. É justamente nessa lacuna que Ciro concentra sua crítica à atual situação.

O discurso também coloca a água no mesmo pacote de prioridades apresentado por Joel Rodrigues: saúde, abastecimento e segurança. São temas de forte apelo popular porque atingem diretamente a rotina das famílias, independentemente de ideologia ou preferência partidária.

A pergunta política que fica é simples: se existem recursos, tecnologia e alternativas para ampliar o abastecimento, por que ainda existem piauienses passando dias ou até semanas sem água?

Para Ciro, a resposta está na gestão. E a proposta apresentada pela oposição é igualmente direta: cobrar resultados da concessionária, fiscalizar o serviço e, se necessário, utilizar os mecanismos previstos para rever a concessão.

O debate, entretanto, não pode ficar restrito ao palanque. Falta d’água é um problema que exige transparência sobre investimentos, metas, qualidade do serviço, manutenção da rede, perdas, fiscalização e cumprimento das obrigações contratuais.

Porque, no final, água não é promessa eleitoral, é serviço essencial. E quando a torneira seca, a população não quer ouvir explicações: quer saber quando a água vai voltar.

Ciro aposta que essa indignação pode se transformar em voto. Joel Rodrigues tenta transformar a mesma reclamação em compromisso de governo. E a eleição de 2026 dirá quem conseguiu convencer o eleitor de que tem, de fato, a capacidade de fazer a água chegar onde ela deveria estar: na torneira dos piauienses.

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