
No município de Amarante, a cultura popular encontra na dança uma das suas formas mais fortes de resistência. É ali que o Cavalo Piancó, uma manifestação tradicional com raízes na história da população negra do Piauí, atravessa gerações e continua sendo apresentado como símbolo da identidade cultural do município.
A dança chama atenção pelos movimentos dos participantes, que imitam o trote de um cavalo. O nome “Piancó” está relacionado à palavra que significa manco, uma referência ao modo característico como os dançarinos executam os passos.
A tradição é associada às comunidades negras que viviam na região do rio Canindé. Ao longo do tempo, o Cavalo Piancó passou a fazer parte das festas e celebrações populares de Amarante, sendo transmitido principalmente pela oralidade e pelo ensinamento dos mestres da cultura.
Mais do que uma apresentação artística, a dança representa uma forma de preservar histórias que não ficaram registradas apenas em documentos. Elas sobreviveram na memória das famílias, nas músicas, nos instrumentos, nos passos e na participação das novas gerações.
O Cavalo Piancó é formado por homens e mulheres que, acompanhando o ritmo da música, reproduzem movimentos que remetem ao andar de um cavalo. A coreografia possui características próprias e exige sintonia entre os participantes.
Durante décadas, mestres da cultura popular tiveram papel fundamental na manutenção da manifestação. São eles que ensinam os passos, as músicas e os significados da dança aos mais jovens, garantindo que a tradição não seja interrompida.
Entre as pessoas lembradas pela preservação do Cavalo Piancó está Dona Cibita, reconhecida por ter dedicado parte de sua vida ao ensino da manifestação.
A história do Cavalo Piancó se confunde com a própria história cultural de Amarante. A manifestação tornou-se uma das referências do município quando o assunto é cultura popular e representa a presença e a contribuição da população negra na formação da identidade piauiense.
Em um período em que manifestações tradicionais correm o risco de perder espaço para novas formas de entretenimento, manter o Cavalo Piancó vivo significa preservar um conhecimento construído por gerações.
Cada apresentação é, portanto, também uma viagem ao passado. Os dançarinos não apenas repetem passos: reproduzem uma memória coletiva que sobreviveu ao tempo.
E enquanto houver quem ensine e quem queira aprender, o Cavalo Piancó continuará fazendo o seu característico trote pelas ruas, festas e espaços culturais de Amarante — levando consigo um pedaço da história do Piauí.
OPORTUNIDADE SENAI Piauí abre processo seletivo para 170 vagas em cadastro de reserva em 6 cidades
POLÍCIA FEDERAL Piauí ainda convive com trabalho análogo à escravidão, 40 pessoas são resgatadas em três municípios
ELEIÇÕES 2026 Ciro Nogueira amplia base de apoio em Floriano com adesões de grupos de Antonio Reis e Marcos Kalume Mín. 24° Máx. 38°