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Política ELEIÇÃO PRESIDENCIAL

PL banca Alfredo Gaspar e mostra que não se curva à pressão política

Cúpula do partido mantém o deputado como vice de Flávio Bolsonaro e transforma uma escolha questionada em demonstração de firmeza, coerência e disposição para enfrentar o desgaste eleitoral

08/08/2026 às 11h34
Por: Douglas Ferreira
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A legenda decidiu sustentar sua escolha e assumir politicamente os riscos da composição - Foto: Reprodução
A legenda decidiu sustentar sua escolha e assumir politicamente os riscos da composição - Foto: Reprodução

A decisão do PL de manter Alfredo Gaspar como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro merece ser analisada para além da reação imediata provocada pelo anúncio. Em um ambiente político no qual partidos frequentemente recuam diante da primeira onda de críticas, a legenda decidiu sustentar sua escolha e assumir politicamente os riscos da composição.

Gaspar não chegou à vice-presidência por acaso. Sua trajetória como promotor de Justiça, secretário de Segurança Pública de Alagoas, deputado federal e relator da CPMI do INSS construiu uma imagem associada ao combate à criminalidade e à fiscalização do poder público. Na CPMI, ganhou projeção nacional ao defender o aprofundamento das investigações sobre o esquema de descontos indevidos em benefícios previdenciários e ao apresentar pedido de indiciamento de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Lula.

É justamente essa trajetória que ajuda a explicar por que sua presença na chapa pode incomodar adversários. A escolha coloca ao lado de Flávio Bolsonaro um nome que já protagonizou confrontos políticos relevantes e que não chega à disputa eleitoral como mero coadjuvante.

A pressão surgiu rapidamente. Parte dos aliados esperava uma mulher na vice, principalmente porque a própria campanha havia trabalhado essa possibilidade como estratégia para ampliar a aproximação com o eleitorado feminino. Outros questionaram a capacidade de Gaspar de agregar votos além do eleitorado tradicionalmente identificado com o bolsonarismo.

Mas há uma diferença importante entre uma escolha que enfrenta críticas e uma escolha equivocada. Crítica política não significa necessariamente que uma decisão esteja errada.

Ao manter Gaspar, a cúpula do PL sinaliza que não pretende administrar uma candidatura presidencial exclusivamente pela lógica das pesquisas de opinião ou pelo receio de ataques dos adversários. O partido está dizendo, na prática, que confia no nome escolhido e está disposto a defendê-lo durante a campanha.

Também seria um erro ignorar as controvérsias que cercam o deputado. Existem acusações e questionamentos que precisam ser esclarecidos pelas instituições competentes. Gaspar nega as acusações e afirma que uma das denúncias não se refere a ele. No caso das emendas, também nega irregularidades.

É fundamental separar acusação, investigação e condenação. Em uma democracia, ninguém pode ser considerado culpado antes da conclusão do devido processo legal. Ao mesmo tempo, nenhuma denúncia relevante deve ser simplesmente ignorada por conveniência eleitoral.

O que o PL parece ter decidido é exatamente enfrentar o problema de frente, permitindo que os fatos sejam esclarecidos enquanto mantém a confiança política no candidato.

A escolha também tem um componente estratégico. Alfredo Gaspar é alagoano, tem experiência na área de segurança pública e pode funcionar como uma ponte para uma região na qual o bolsonarismo enfrenta dificuldades históricas. Para uma candidatura que pretende disputar espaço nacional, especialmente no Nordeste, esse aspecto não é desprezível.

A grande questão agora será saber se Gaspar conseguirá transformar sua experiência e sua atuação na CPMI do INSS em votos para Flávio Bolsonaro. E, principalmente, se a campanha conseguirá impedir que as controvérsias envolvendo o vice se transformem no centro da disputa.

Ao menos neste primeiro momento, o PL fez uma escolha que merece ser reconhecida: escolheu um nome e decidiu sustentá-lo.

Em uma política marcada por recuos, conveniências e mudanças de última hora diante da pressão, manter Alfredo Gaspar pode ser interpretado como uma demonstração de confiança e de firmeza. Agora, caberá ao próprio candidato provar, durante a campanha, que essa confiança foi bem depositada.

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