Quarta, 05 de Agosto de 2026
31°

Tempo limpo

Teresina, PI

Saúde SAÚDE DO HOMEM

Menopausa masculina existe? Entenda a síndrome que afeta milhões de homens após os 40 anos

Conhecida como Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino (DAEM), condição provoca queda gradual da testosterona e pode comprometer a saúde física, mental e sexual. Especialistas alertam para o risco da automedicação

05/08/2026 às 08h12 Atualizada em 05/08/2026 às 09h35
Por: Douglas Ferreira
Compartilhe:
A “menopausa masculina” ainda é cercada de mitos e desinformação - Foto: Reprodução
A “menopausa masculina” ainda é cercada de mitos e desinformação - Foto: Reprodução

A chamada "menopausa masculina" ainda é cercada de mitos e desinformação. Ao contrário do que acontece com as mulheres, os homens não passam por uma interrupção brusca da produção hormonal. O que ocorre é uma redução lenta e progressiva dos níveis de testosterona, processo conhecido pela medicina como Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino (DAEM).

Embora popularmente seja chamada de andropausa, muitos especialistas evitam esse termo justamente porque não existe uma "pausa" definitiva na produção hormonal masculina. A testosterona continua sendo produzida, porém em menor quantidade e, muitas vezes, com menor eficiência biológica.

Estima-se que a DAEM afete entre 10% e 20% dos homens, principalmente a partir dos 40 anos de idade. Nessa fase, a produção de testosterona tende a diminuir cerca de 1% ao ano, processo que pode ser acelerado por obesidade, diabetes, sedentarismo, estresse, alcoolismo, tabagismo e noites mal dormidas.

Os sintomas nem sempre aparecem ao mesmo tempo e, por isso, muitos homens convivem com a síndrome durante anos sem receber o diagnóstico correto. Os sinais mais frequentes incluem queda da libido, disfunção erétil, cansaço constante, perda de força muscular, aumento da gordura abdominal, dificuldade para ganhar massa magra, redução da concentração, perda de memória, irritabilidade, alterações de humor, ansiedade, insônia, diminuição da disposição e até os chamados fogachos, ondas repentinas de calor muito semelhantes às vividas por mulheres durante a menopausa.

Em muitos casos, esses sintomas acabam sendo confundidos com estresse, depressão, envelhecimento natural ou excesso de trabalho. Isso faz com que milhares de homens deixem de procurar ajuda médica.

Outro aspecto pouco conhecido é que nem sempre uma testosterona considerada "normal" nos exames significa que o organismo esteja utilizando adequadamente o hormônio. Além da testosterona total, os médicos avaliam a testosterona livre, considerada a fração biologicamente ativa e responsável pelos efeitos do hormônio nos músculos, cérebro, coração, ossos e órgãos sexuais.

Especialistas alertam que o diagnóstico não pode ser baseado apenas em um número apresentado no exame laboratorial. É necessário avaliar o conjunto de sintomas, o estilo de vida, doenças associadas e outros fatores metabólicos que podem reduzir a produção ou a ação da testosterona.

Quando confirmada a DAEM, o tratamento nem sempre envolve reposição hormonal. Em muitos pacientes, mudanças de hábitos são suficientes para elevar naturalmente os níveis hormonais. Alimentação equilibrada, controle do peso, prática regular de exercícios físicos, sono de qualidade, redução do consumo de álcool e abandono do cigarro costumam trazer resultados significativos.

Quando há indicação médica, a reposição de testosterona pode ser feita por meio de géis, injeções ou implantes hormonais. Entretanto, o tratamento exige acompanhamento rigoroso, exames periódicos e monitoramento constante.

Os especialistas fazem um alerta importante sobre o uso indiscriminado da testosterona, prática que se tornou comum entre pessoas que buscam ganho de massa muscular ou melhora estética. O uso sem indicação médica pode provocar infertilidade, alterações cardíacas, hipertensão, aumento do risco de arritmias, problemas no fígado, alterações emocionais, ansiedade, agressividade e outras complicações potencialmente graves.

A principal recomendação é simples: homens acima dos 40 anos que apresentem perda de energia, redução da libido, alterações de humor, ganho de peso inexplicável ou dificuldade para manter o desempenho físico e mental devem procurar um urologista, endocrinologista ou geriatra. O diagnóstico precoce permite identificar não apenas a deficiência hormonal, mas também doenças metabólicas, como diabetes e obesidade, que frequentemente estão associadas ao problema.

Mais do que uma questão ligada ao envelhecimento, a DAEM representa um desafio para a saúde masculina. Conhecer seus sintomas, buscar avaliação médica e evitar a automedicação são atitudes fundamentais para preservar a qualidade de vida, a autonomia e o bem-estar ao longo dos anos.

Palavras-chave: meno'pausa masculina, DAEM, andropausa, testosterona, saúde do homem, urologia, envelhecimento masculino, hormônios, qualidade de vida, reposição hormonal.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários