
A disputa pela vaga ao Senado pelo Paraná ganhou um novo capítulo, e desta vez, com uma decisão que mexe diretamente na campanha de Deltan Dallagnol (Novo).
Na noite deste sábado (19), o ministro Floriano de Azevedo Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), concedeu liminar suspendendo os atos de campanha de Dallagnol até que o recurso contra o registro de sua candidatura seja analisado pelo tribunal. A decisão também impede o uso de recursos públicos de campanha e a veiculação de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão.
A medida ocorre poucos dias depois de o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) ter reconhecido, por 4 votos a 3, a elegibilidade de Dallagnol e deferido seu registro para o Senado. A decisão regional foi tomada em 8 de setembro, após julgamento de mais de sete horas.
A controvérsia está relacionada à saída de Dallagnol do Ministério Público Federal, em 2021, e aos procedimentos disciplinares que tramitavam contra ele.
Em 2023, ao analisar sua candidatura à Câmara dos Deputados, o TSE concluiu que a exoneração havia ocorrido em circunstâncias que, segundo a Corte, buscavam evitar possíveis consequências de processos disciplinares, e negou o registro da candidatura naquele pleito.
O TRE-PR, entretanto, entendeu que o cenário havia mudado. Entre os argumentos considerados estavam o posterior arquivamento de procedimentos contra Dallagnol e a avaliação de que não havia, em 2026, impedimento para sua candidatura ao Senado. O Ministério Público Eleitoral do Paraná também havia se manifestado favoravelmente à elegibilidade.
Foi justamente essa diferença de interpretação que levou o caso novamente ao TSE.
Na decisão liminar, Floriano de Azevedo Marques avaliou, em caráter provisório, que não houve mudança relevante no quadro jurídico e fático capaz de justificar uma conclusão diferente daquela adotada pelo TSE em 2023.
O ministro também apontou que eventual revisão da interpretação anterior caberia ao próprio TSE, e não ao tribunal regional. A decisão ainda deverá ser submetida ao colegiado do Tribunal Superior Eleitoral.
Isso significa que a suspensão da campanha não representa, neste momento, uma decisão definitiva sobre a candidatura.
É uma liminar.
Dallagnol reagiu à decisão e anunciou que pretende recorrer. Segundo relatos publicados neste domingo, sua defesa questiona o fato de a liminar ter sido concedida antes de sua manifestação e critica a condução do processo.
A defesa também sustenta que a candidatura continua deferida pelo TRE-PR enquanto o recurso não for definitivamente julgado pelo TSE.
O caso, portanto, está longe de terminar.
O problema é que a decisão acontece justamente na reta final da campanha.
Com a liminar, Dallagnol fica impedido de realizar atos eleitorais, participar da propaganda gratuita no rádio e na televisão e utilizar recursos públicos de campanha enquanto a medida estiver em vigor.
E há uma questão prática: quanto mais próximo da eleição estiver o julgamento definitivo, maior será o impacto sobre a campanha e sobre o próprio processo eleitoral.
O TSE deverá agora decidir se mantém ou derruba a liminar e, posteriormente, analisar o mérito do recurso contra o registro.
Até lá, o eleitor paranaense fica diante de uma situação incomum: um candidato que teve a elegibilidade reconhecida pelo tribunal regional está temporariamente impedido de fazer campanha por decisão de um ministro do tribunal superior.
A disputa jurídica, portanto, continua. e pode ser tão decisiva quanto a disputa nas urnas.
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