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Lulinha entra na mira da PF em investigação ligada ao escândalo bilionário do INSS

Filho do presidente Lula é investigado por suspeitas de corrupção e tráfico de influência em negócios envolvendo cannabis medicinal; apuração busca esclarecer sua relação com o Careca do INSS e eventual atuação junto ao Ministério da Saúde

31/07/2026 às 08h19
Por: Douglas Ferreira
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Lulinha e o Careca do INSS - Foto: Reprodução/Imagem gerada por IA
Lulinha e o Careca do INSS - Foto: Reprodução/Imagem gerada por IA

A autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, para a abertura de um inquérito contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, amplia um dos desdobramentos da Operação Sem Desconto, investigação da Polícia Federal que apura um esquema de descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS, com prejuízo estimado em mais de R$ 6,3 bilhões e milhões de beneficiários atingidos.

É importante esclarecer, porém, que Lulinha não é investigado por participar diretamente das fraudes contra aposentados e pensionistas. O novo inquérito tem outro objeto.

Segundo a Polícia Federal, há indícios que justificam apurar se o filho do presidente utilizou sua condição e influência política para favorecer interesses privados junto ao Ministério da Saúde. Os crimes investigados são corrupção e tráfico de influência.

A investigação decorre da relação de Lulinha com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado pela PF como um dos principais operadores do esquema dos descontos ilegais em benefícios previdenciários.

Além das atividades investigadas no INSS, o Careca do INSS também mantinha negócios na área de cannabis medicinal por meio da empresa World Cannabis. A suspeita é de que ele e a empresária Roberta Luchsinger buscassem abrir espaço para esses empreendimentos junto ao Ministério da Saúde.

É justamente nesse ponto que surge o nome de Lulinha.

A Polícia Federal pretende esclarecer se ele teria utilizado sua proximidade com o presidente da República para facilitar reuniões, contatos ou negociações de interesse do grupo junto ao governo federal.

Entre os elementos já identificados pelos investigadores estão viagens realizadas por Lulinha e pelo Careca do INSS no mesmo período, encontros entre os envolvidos, transferências financeiras de aproximadamente R$ 1,5 milhão feitas pelo lobista para Roberta Luchsinger e mensagens nas quais aparece a referência ao "filho do rapaz", expressão que a PF considera relevante para a investigação e cujo significado busca confirmar.

Esses elementos, por si só, não representam prova de crime, mas foram considerados suficientes para justificar a abertura do inquérito autorizado pelo STF.

Outro aspecto que desperta interesse público é a atividade empresarial de Lulinha.

Ao longo dos anos, ele foi apresentado como empresário e participou de diferentes sociedades empresariais. Entretanto, a investigação não tem como objetivo apurar a legalidade dessas empresas, nem há, até o momento, decisão judicial que as classifique como empresas de fachada ou utilizadas para práticas ilícitas.

Ainda assim, o caso desperta questionamentos sobre quais atividades empresariais Lulinha exerce atualmente, quais empresas permanecem em funcionamento, qual é sua efetiva participação na gestão desses negócios e como essas atividades são desenvolvidas, considerando que ele passou períodos residindo no exterior. Essas são questões de interesse público, mas que, por enquanto, não fazem parte do objeto principal do inquérito.

A defesa de Lulinha afirma que ele não praticou qualquer irregularidade e sustenta que a investigação permitirá demonstrar sua inocência.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também declarou publicamente que não utilizará o cargo para proteger o filho. Segundo ele, caso Lulinha tenha cometido algum crime, deverá responder perante a Justiça como qualquer cidadão.

O inquérito permanece sob sigilo. Ao final das diligências, caberá à Polícia Federal apresentar suas conclusões ao Ministério Público, que decidirá se existem elementos suficientes para oferecer denúncia ou pedir o arquivamento da investigação.

Até o momento, Lulinha é investigado, mas não foi denunciado nem condenado, prevalecendo a presunção de inocência garantida pela Constituição.

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