
A insensibilidade da atual gestão do Teresina Shopping atinge um novo patamar ao decretar o fim de um dos espaços mais tradicionais do estabelecimento: o emblemático Café do Shopping, conhecido popularmente como 'Senadinho'. Essa decisão, tomada de forma unilateral, ameaça não apenas um ponto de encontro, mas uma verdadeira instituição cultural da capital piauiense.
Antes de ser um mero espaço dedicado ao consumo, o Teresina Shopping sempre foi, e ainda é, o maior ponto de encontro da cidade. Diariamente, milhares de pessoas circulam por seus corredores, seja em busca de compras, entretenimento ou simplesmente para desfrutar de um ambiente agradável e climatizado. Entre os que lá frequentam, estão aqueles que buscam cultura, como os cinéfilos que lotam as salas de cinema, e, claro, aqueles que têm o hábito de se reunir para socializar, atualizar-se sobre os acontecimentos do dia e, mais importante, manter vivas as discussões sobre a cidade, o Estado, o Brasil e o mundo.
É nesse contexto que surge o 'Senadinho', um espaço democrático onde figuras de destaque da sociedade teresinense, como médicos, engenheiros, arquitetos, advogados, empresários, jornalistas e políticos, se encontravam diariamente. Não havia hierarquia nem formalidade, apenas o prazer de compartilhar ideias e histórias. E, entre essas figuras, estava um dos nomes mais ilustres da história recente do Piauí: João Claudino Fernandes. Por acaso, o proprietário do Teresina Shopping e um dos maiores empresários do Estado, seu João era presença constante, cadeira cativa, sendo aguardado com expectativa por aqueles que ali se reuniam. Sua simplicidade, mesmo com o peso de seu legado, fazia do Café do Shopping um local ainda mais especial.
Porém, essa tradição está prestes a ser apagada. O 'Senadinho', que se tornou um símbolo não apenas do shopping, mas de Teresina, está com os dias contados. Em uma decisão que ignora a importância histórica e afetiva do espaço, a gestão do shopping pretende substituir o café por um conjunto impessoal de poltronas e cadeiras para uso coletivo. Essa mudança é um golpe duro não apenas para o empreendedor que conduzia o Café do Shopping, mas, sobretudo, para os frequentadores que fizeram do local um centro de debates e confraternização.
É lamentável que, justo agora, quando alguns dos mais renomados empresários da capital planejavam mandar construir uma estátua tamanho natural, em homenagem a João Claudino, sentado em sua 'cadeira de sempre', no exato local onde ele costumava sentar-se para prosear com amigos, os herdeiros do Grupo Claudino tenham escolhido esse momento para permitir que o legado de seu patriarca seja dissolvido. Parece que a preservação da memória e da história de um dos maiores comerciantes e industriais do Nordeste não é prioridade para a nova geração.
O fim do "Senadinho" não representa apenas a perda de um café, mas a dissolução de um espaço que carregava a alma de Teresina e porque não dizer a do seu João, também.
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