
O Ministério das Relações Exteriores apresentou à Câmara dos Deputados uma versão diferente da defendida publicamente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a revogação do visto de Darren Beattie, assessor do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para assuntos relacionados ao Brasil.
Em ofício encaminhado pelo chanceler Mauro Vieira, o Itamaraty afirma que a decisão não teve como fundamento a reciprocidade diplomática, argumento utilizado anteriormente pelo presidente da República. Segundo o documento, a negativa ocorreu por causa da intenção de Beattie de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro durante o período eleitoral, situação considerada inadequada pelo governo brasileiro.
A resposta foi enviada meses após solicitação feita pela Câmara dos Deputados e, ao longo de 11 páginas, não menciona qualquer medida de retaliação relacionada ao cancelamento de vistos de integrantes do governo brasileiro pelos Estados Unidos.
O episódio ganhou repercussão porque Lula havia declarado que determinou a revogação do visto como resposta ao cancelamento dos vistos do então ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e de familiares, decisão anunciada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.
No mesmo contexto, críticas também recaem sobre a área econômica do governo. O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, afirmou acreditar na possibilidade de superávit primário em 2027, apesar do elevado déficit fiscal acumulado. A avaliação contrasta com a de economistas que defendem cortes de gastos para reequilibrar as contas públicas.
O governo também enfrenta críticas por classificar como "pauta-bomba" propostas em tramitação no Congresso, entre elas a aposentadoria para agentes comunitários de saúde, cujo impacto estimado é de R$ 2 bilhões por ano.
Na área política, a coluna ainda destaca mudanças na liderança do PT no Senado, com a saída da senadora Teresa Leitão e a indicação do ministro da Educação, Camilo Santana, para assumir a função. Também menciona dificuldades na organização da convenção que deverá oficializar a candidatura de Fernando Haddad ao Governo de São Paulo e relembra que dezenas de propostas para redução da maioridade penal acabaram arquivadas ou foram barradas ao longo das últimas décadas.
A publicação ainda cita declarações de parlamentares sobre operações da Polícia Federal envolvendo Jair Bolsonaro e informa que o chanceler Mauro Vieira foi novamente convocado a prestar esclarecimentos na Comissão de Relações Exteriores da Câmara.
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