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Polícia DEOLANE BEZERRA

Caixa com nome de Deolane encontrada com operador do PCC expõe ousadia e escárnio do crime organizado

Frase gravada na caixa de dinheiro apreendida pela polícia simboliza a mentalidade de facções que passaram a agir como se estivessem acima da Justiça

25/05/2026 às 11h30
Por: Douglas Ferreira
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Deolane Bezerra no dia da prisão - Foto: Reprodução
Deolane Bezerra no dia da prisão - Foto: Reprodução

O crime organizado brasileiro já não se esconde mais nas sombras. Ele ostenta. Exibe luxo. Frequenta festas. Circula entre celebridades. E agora deixa até mensagens filosóficas gravadas em caixas recheadas de dinheiro vivo. A apreensão de uma caixa com cerca de R$ 20 mil na casa de um operador financeiro do PCC, contendo o nome da influenciadora e advogada Deolane Bezerra e a frase “O justo não se justifica”, escancara não apenas a dimensão da investigação, mas principalmente o sentimento de impunidade que tomou conta de setores do crime organizado no Brasil.

A caixa foi encontrada pela Polícia Civil de São Paulo durante operação na residência de Everton de Souza, conhecido pelos apelidos de “Player” ou “Temer”, apontado pelas investigações como operador financeiro do Primeiro Comando da Capital, o PCC. Não se tratava apenas de dinheiro guardado. Tratava-se de um símbolo. Uma espécie de assinatura psicológica de uma engrenagem criminosa que parece se enxergar acima do bem e do mal.

A frase estampada na tampa da caixa impressiona pelo deboche quase mafioso. “O justo não se justifica”. Em outras palavras, a mensagem sugere que quem se considera “justo” não precisa prestar contas à sociedade, à polícia ou ao Judiciário. É o retrato do escárnio. O crime organizado não apenas movimenta milhões. Ele passou a construir sua própria narrativa moral, como se fosse vítima do sistema enquanto manipula estruturas financeiras milionárias.

Escárnio é pouco para definir a lógica do crime - Foto: Representante

Segundo as investigações, o elo entre Everton e Deolane tornou-se central para entender uma suposta engrenagem de lavagem de dinheiro ligada à facção. A polícia afirma que Everton atuava como uma espécie de gestor oculto de empresas de fachada usadas para movimentar recursos da organização criminosa. Entre elas estaria uma transportadora utilizada para fragmentar e ocultar a origem dos valores.

A investigação aponta que depósitos eram realizados em contas ligadas a Deolane por meio de intermediários. Ao todo, teriam sido identificadas 34 transações com padrões semelhantes, indicando uma possível rede de triangulação financeira, prática usada justamente para embaralhar a trilha do dinheiro.

O caso ganhou ainda mais peso após a descoberta de bilhetes escondidos na caixa de esgoto de uma cela da Penitenciária II de Presidente Venceslau. Os manuscritos revelariam discussões internas do PCC, tráfico dentro do sistema prisional e até planos de atentados contra agentes públicos. Foi a partir dessa investigação que a polícia chegou à chamada “mulher da transportadora”, peça considerada estratégica no esquema.

As autoridades afirmam que empresas ligadas aos investigados funcionavam em endereços residenciais, sem atividade econômica real. Algumas compartilhavam inclusive o mesmo espaço físico para múltiplos CNPJs. Um modelo clássico de empresas “espelho”, criadas apenas para movimentar recursos e dar aparência de legalidade ao dinheiro ilícito.

A Polícia Civil também sustenta que a imagem pública de Deolane, marcada por luxo, ostentação e grande alcance nas redes sociais, ajudaria a criar uma camada de aparente legitimidade para movimentações financeiras incompatíveis com atividades econômicas comprovadas. A Justiça determinou bloqueio de até R$ 327 milhões em bens, além da apreensão de veículos de luxo e imóveis ligados aos investigados.

Até o momento, cerca de R$ 6 milhões já teriam sido bloqueados em contas relacionadas à influenciadora. A defesa dela afirma que todas as atividades são lícitas e que os fatos serão esclarecidos no decorrer do processo.

Mas o episódio da caixa permanece simbólico. Porque não era apenas uma caixa de dinheiro. Era quase um manifesto silencioso do crime organizado contemporâneo. Um crime que não se limita mais às vielas ou ao tráfico tradicional. Um crime que busca respeitabilidade social, influência digital, aparência empresarial e até discurso moral.

O mais assustador talvez não seja apenas o dinheiro. É a naturalidade com que organizações criminosas passaram a circular nos bastidores do poder econômico e social brasileiro, agindo como se fossem intocáveis. Como se realmente acreditassem que não precisam mais se justificar para ninguém.

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A NOTÍCIA E O FATO
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Sobre Douglas Ferreira é multimídia. Além de jornalista, é bacharel em Direito. Foi repórter da TV Clube, afiliada da Rede Globo, por 10 anos e, em Caxias, no Maranhão, apresentou o programa “Fala Caxias”. Fundou e dirigiu por seis anos a Folha do Cocais. Foi secretário de Comunicação da Prefeitura de Caxias e retornou a Teresina como âncora da TV Meio Norte. Por 20 anos, reportou e apresentou na TV Antena 10, afiliada da Record. Também foi assessor de imprensa do Tribunal de Justiça do Piauí e passou por rádios e pelos maiores portais do Estado. Sua vida é o jornalismo. No Sistema Move de Comunicação, foi editor do Portal Move Notícias e apresentador do Business Cast, do canal movetvweb no YouTube. Agora, está à frente do Gazeta Hora1.
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