
O dado central da pesquisa é direto e relevante: a maioria dos brasileiros (55%) afirma não confiar no Supremo Tribunal Federal, enquanto 36% dizem confiar e 9% não souberam responder. O levantamento do Instituto Real Time Big Data, com 2 mil entrevistas em todo o país, revela um cenário claro de desgaste institucional.
Outro ponto importante é o recorte político. Entre eleitores de Flávio Bolsonaro, a desconfiança chega a 74%. Já entre eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva, 42% também afirmam não confiar no tribunal. Isso indica que a desconfiança não está restrita a um único campo ideológico, embora seja mais intensa em determinados grupos.
A pesquisa não explica causas, mas, analisando o cenário político-institucional recente, alguns fatores ajudam a entender essa percepção.
Judicialização da política
O STF passou a decidir temas altamente políticos, como eleições, funcionamento de poderes e investigações, o que aumenta sua visibilidade, mas também o expõe a críticas.
Percepção de parcialidade
Parte da população passou a enxergar decisões da Corte como alinhadas a interesses políticos, o que fragiliza a ideia de imparcialidade, um pilar central do Judiciário.
Protagonismo e exposição midiática
Ministros se tornaram figuras públicas constantes, com decisões individuais e embates institucionais ganhando destaque. Isso aproxima o tribunal do debate político cotidiano e da polarização.
Polarização política
O Brasil vive um ambiente dividido. Nesse contexto, instituições passam a ser avaliadas não apenas por critérios técnicos, mas por percepções políticas e ideológicas.
Mais do que rejeição absoluta, os dados apontam para um cenário de desconfiança majoritária, mas ainda com uma parcela significativa de brasileiros que mantém confiança na Corte.
No geral, o levantamento sugere que o STF enfrenta um desafio central: reconstruir credibilidade institucional em meio a um ambiente político altamente polarizado e exposto.
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