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Política FIDELIDADA POLÍTICA

Entre a ideologia e o voto: quem manda é o pragmatismo

Declaração de Flávio Nogueira expõe contradições internas, fragilidade da fidelidade partidária e a distância entre o discurso e a prática política

01/05/2026 às 04h07 Atualizada em 01/05/2026 às 10h55
Por: Douglas Ferreira
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Deputado Flávio Nogueira - Foto: Reprodução
Deputado Flávio Nogueira - Foto: Reprodução

Ideologia é ideologia. Pragmatismo é pragmatismo. E voto é voto. No fim das contas, é isso que manda. Na hora de disputar eleição, especialmente reeleição, o discurso pode até vestir a fantasia da coerência, mas a prática entra em campo com outra lógica. A lógica da sobrevivência política.

O candidato não pede voto para fortalecer tese ideológica. Pede voto para vencer. E, para isso, faz o que for necessário dentro das regras do jogo real, não do manual partidário. Por isso, a ideia de punir filiado que não acompanha integralmente uma chapa majoritária soa, no mínimo, desconectada da realidade. Política não é quartel. Não funciona por comando unilateral. Funciona por interesse, por conveniência e, sobretudo, por cálculo.

E aqui entra um ponto incômodo, mas inevitável. O PT de hoje está muito distante daquele partido que, no passado, reivindicava o monopólio da ética. Ao longo dos anos, a sigla absorveu quadros de diferentes origens ideológicas. Ex-tucanos, ex-pefelistas, remanescentes de estruturas políticas antigas. Virou um partido de composição ampla, não de pureza doutrinária. E isso muda tudo.

Quando um partido deixa de ser movido majoritariamente por convicção e passa a operar por conveniência, cobrar fidelidade absoluta vira contradição. Porque, na prática, muitos dos que estão ali não chegaram por identidade ideológica, mas por oportunidade política. E isso não é exclusividade de um partido. É traço do sistema.

No Nordeste, essa lógica é ainda mais evidente. A política regional nunca foi guiada por cartilhas rígidas. É território de acordos, de alianças flexíveis, de rearranjos constantes. Voto não é linear, não é automático, não é transferível como se fosse patrimônio. Cada eleição é um novo jogo, com novas combinações.

Diante disso, a fala do deputado Flávio Nogueira ganha contorno pragmático. Ao rejeitar a punição de petistas que não votarem na chapa ao Senado, ele não está fazendo um discurso ideológico. Está fazendo uma leitura prática do cenário. Punir alguns enquanto outros aliados fazem o mesmo seria incoerente e politicamente inviável.

E mais. Ele aponta algo essencial. Se for para punir, teria que punir todo mundo. Prefeitos de partidos aliados que não seguem a orientação, lideranças que fazem composições locais diferentes, políticos que negociam apoios conforme seus interesses eleitorais. Ou seja, punir significaria desmontar a própria base política.

Por isso, o caminho apontado é o diálogo. Não por romantismo, mas por necessidade. Porque, na política real, convencimento rende mais do que imposição. E coerção, quando aplicada de forma seletiva, costuma gerar mais rebeldia do que disciplina.

No fundo, o que está em jogo é algo maior. A diferença entre o discurso e a prática. Entre o partido idealizado e o partido real. Entre a política que se prega e a política que se faz.

E aí surge a pergunta que fica no ar. Em um ambiente onde alianças são fluidas, onde interesses locais se sobrepõem às diretrizes nacionais e onde a fidelidade é muitas vezes circunstancial, faz sentido cobrar disciplina rígida como se o sistema ainda fosse movido por convicções puras?

A resposta, ainda que desconfortável, parece evidente.

Na política brasileira, especialmente em disputas majoritárias, quem não for pragmático, dificilmente sobrevive.

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A NOTÍCIA E O FATO
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Sobre Douglas Ferreira é multimídia. Além de jornalista, é bacharel em Direito. Foi repórter da TV Clube, afiliada da Rede Globo, por 10 anos e, em Caxias, no Maranhão, apresentou o programa “Fala Caxias”. Fundou e dirigiu por seis anos a Folha do Cocais. Foi secretário de Comunicação da Prefeitura de Caxias e retornou a Teresina como âncora da TV Meio Norte. Por 20 anos, reportou e apresentou na TV Antena 10, afiliada da Record. Também foi assessor de imprensa do Tribunal de Justiça do Piauí e passou por rádios e pelos maiores portais do Estado. Sua vida é o jornalismo. No Sistema Move de Comunicação, foi editor do Portal Move Notícias e apresentador do Business Cast, do canal movetvweb no YouTube. Agora, está à frente do Gazeta Hora1.
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