
A derrota de Jorge Messias não foi apenas um revés político. Foi um retrato. Um daqueles retratos sem filtro, que revelam mais do que discursos, mais do que articulações, mais do que bastidores cuidadosamente montados. Pegou o governo de calças curtas? Tudo indica que sim. E não foi por falta de movimento, de gente, de esforço. Foi como time grande que entra em campo com a torcida lotando o estádio, banda tocando, camisa nova, e ainda assim sai derrotado no apito final.
A movimentação foi intensa. Teve ministro deixando gabinete às pressas para reassumir cadeira no Senado, numa tentativa clara de reforçar o time. Teve articulação de última hora, teve envio de nomes experientes para costurar apoios, teve bastidor fervendo. Mas, como diz o caboclo das bandas de Oeiras, quando a coisa não dá certo, “faiô”. E faiô mesmo. A engrenagem que antes girava com facilidade, como nos tempos em que certas votações passavam quase por inércia, agora parece ter perdido o óleo. Rangeu. Travou. Não andou.
O que mais chama atenção é o contraste entre expectativa e realidade. Formou-se quase uma romaria política rumo a Brasília. Governadores, parlamentares, caciques partidários, todo mundo apostando na vitória como quem já conta o dinheiro antes de receber. Entre eles estava o governador do Piauí, Rafael Fonteles, presença constante e visível. Teve gente que parecia estar indo para posse, não para votação. Era clima de celebração antecipada. Só esqueceram de combinar com o placar.
E quando a vitória não veio, o silêncio falou alto. Porque derrota em política não é só número. É sinal. Sinal de desgaste, de falha de articulação, de leitura equivocada do cenário. É como pescador que joga a rede achando que vai puxar cheia e vem só com água. O esforço foi grande, mas o resultado foi vazio.
Nos bastidores, como sempre, surgem as leituras populares, aquelas que misturam ironia com crítica. Há quem diga que a presença em massa acabou mais atrapalhando do que ajudando. Que em vez de somar, “meteram foi catinga”, expressão popularizada pelo jornalista e ex-deputado Silas Freire. Pode ser exagero, pode ser folclore político, mas revela uma percepção: quando a confiança vira excesso, o risco aumenta.
E no meio disso tudo, chama atenção a postura de quem fez questão de aparecer. Rafael Fonteles esteve em praticamente todos os registros fotográficos do pós-derrota, sempre ao lado de Jorge Messias. Presença constante, sorriso aberto, como quem já se via parte da vitória. Só que política tem dessas ironias. Às vezes, quem mais aparece na festa acaba também aparecendo na foto da derrota. E isso cobra seu preço, ainda que simbólico.
Só faltou uma peça nesse tabuleiro de apoios: a ex-presidente Dilma Rousseff, madrinha política do indicado, que o chama carinhosamente de “Bessias”. Não esteve presente fisicamente, mas, ao que tudo indica, torceu à distância. Nem isso foi suficiente para mudar o desfecho.
No fim das contas, a reprovação de Messias mostra que nem sempre o roteiro segue o script esperado. Não basta ter apoio aparente, não basta ter histórico, não basta ter proximidade. O Senado, naquele momento, funcionou como freio. E quando o freio entra, não adianta acelerar.
A política é como jogo de dominó em mesa de bar. Às vezes, a peça que parecia perfeita não encaixa. E quando não encaixa, não adianta insistir. Tem que recolher, reorganizar e começar outra partida. Dessa vez, não deu. Faiô.
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