
O gesto entre o deputado Sóstenes Cavalcante e o advogado-geral da União Jorge Messias acabou ganhando contornos políticos inesperados em Brasília. Durante a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, nesta quarta-feira, o abraço entre os dois repercutiu negativamente entre apoiadores bolsonaristas, gerando cobranças públicas ao líder do PL na Câmara.
Diante da reação, Sóstenes publicou um vídeo nas redes sociais para tentar conter o desgaste. Ele afirmou que o gesto não teve qualquer conotação política e classificou o cumprimento como um ato de educação. O deputado reforçou que não há mudança na posição do partido e que o PL no Senado já decidiu votar contra a indicação de Messias ao Supremo Tribunal Federal.
O parlamentar também buscou contextualizar a relação institucional com o chefe da Advocacia-Geral da União. Segundo ele, encontros anteriores ocorreram para tratar de pautas ligadas ao estado do Rio de Janeiro e interesses da bancada. A fala tenta separar o campo pessoal do político, em um momento em que gestos simbólicos ganham peso nas disputas ideológicas.
Indicado pelo presidente Lula, Messias enfrenta um cenário incerto no Senado. A vaga foi aberta após a saída antecipada de Luís Roberto Barroso do Supremo. Aliados do governo projetam cerca de 45 votos favoráveis, mas reconhecem que a aprovação pode ser apertada. Como a votação é secreta, o placar final ainda é tratado com cautela nos bastidores.
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