
O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, decidiu afastar os advogados de Eduardo Tagliaferro e nomear a Defensoria Pública da União (DPU) para assumir sua defesa. A medida foi tomada após a equipe jurídica do investigado se recusar a participar de uma audiência, em protesto contra a forma como foi feita a intimação.
A defesa contestou o fato de o ministro não ter utilizado carta rogatória para notificar Tagliaferro, que está na Itália, optando por citação por edital. Moraes justificou que o paradeiro do investigado seria “incerto e não sabido”, mesmo com um processo de extradição em andamento. O episódio expõe um choque direto entre a estratégia da defesa e a condução do caso pelo Judiciário.
Antes dessa decisão, uma audiência chegou a ser anulada porque um defensor público, chamado de última hora, se recusou a participar do ato. Agora, o ministro marcou uma nova data para o dia 28 de abril, reforçando o ritmo do processo mesmo diante das resistências. A condução acelerada contrasta com a crítica da defesa, que aponta falta de condições adequadas para atuar.
O caso também ganhou repercussão por seus desdobramentos. Tagliaferro foi preso inicialmente em São Paulo, sob suspeita de violência doméstica, mas a investigação avançou para possível violação de sigilo após a apreensão de um aparelho considerado institucional. Hoje na Itália, ele passou a ter visibilidade ao divulgar mensagens atribuídas a servidores ligados ao tribunal. Moraes nega qualquer irregularidade, mas o episódio amplia o debate sobre os limites entre investigação, poder judicial e garantias de defesa no Brasil.
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