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Política REJEIÇÃO ELEITORAL

47% dos brasileiros dizem que não votam em Lula “nem a pau”, aponta pesquisa

Levantamento do Paraná Pesquisas mostra que quase metade do eleitorado rejeita totalmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, evidenciando forte desgaste político

31/03/2026 às 13h43 Atualizada em 31/03/2026 às 14h26
Por: Douglas Ferreira
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Presidente Lula da Silva - Foto: Reprodução
Presidente Lula da Silva - Foto: Reprodução

Do mito ao desgaste: quando o líder perde o brilho

A trajetória política de muitos líderes lembra uma montanha-russa. A ascensão costuma ser rápida, quase vertiginosa. A queda, porém, costuma ser ainda mais veloz. A história recente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva parece caminhar exatamente por esse trilho.

O operário que saiu do chão de fábrica para chegar três vezes ao Palácio do Planalto construiu uma das biografias políticas mais impressionantes do mundo contemporâneo. Durante anos foi visto como um símbolo de mobilidade social e de esperança política. Mas o tempo, implacável como ferrugem em metal exposto, parece ter começado a corroer esse capital simbólico.

A mais recente pesquisa divulgada pelo Paraná Pesquisas revela um dado inquietante para o governo. Quase metade dos brasileiros afirma que não votaria em Lula de forma alguma. O índice de rejeição alcança 47 por cento entre os eleitores que afirmam conhecer o presidente. É um número que pesa como chumbo em qualquer projeto eleitoral.

A ironia da situação é evidente. Lula ficou conhecido por frases grandiosas, muitas delas iniciadas pela célebre expressão de que algo nunca havia acontecido antes na história do país. Agora o próprio presidente enfrenta um fenômeno semelhante. Uma rejeição crescente que parece se espalhar como mancha de óleo sobre água.

O dado mais revelador da pesquisa talvez não seja apenas a rejeição em si. É o fato de que praticamente todos os brasileiros sabem quem é Lula. Mais de 83 por cento dizem conhecê-lo bem. Apenas pouco mais de um por cento afirma não saber quem ele é. Isso significa que o problema não é desconhecimento. É desgaste.

A imagem pública do presidente começa a lembrar a de um motor antigo que já rodou quilômetros demais. Ainda funciona, ainda faz barulho, ainda se move. Mas já não tem o mesmo rendimento de antes. Alguns adversários exploram essa metáfora de maneira ainda mais agressiva. O senador Flávio Bolsonaro chegou a compará-lo a um Opala antigo que teria afundado no álcool. Um carro que um dia foi símbolo de potência, mas hoje parece estacionado no passado.

A pergunta que ecoa nos bastidores da política é inevitável. O que aconteceu com Lula?

Foram as contradições acumuladas ao longo dos anos? Os excessos retóricos? O aumento das despesas públicas em um momento de aperto econômico? A sensação de que o governo promete mais do que entrega? Ou simplesmente o desgaste natural de um líder que passou décadas no centro da política nacional?

Alguns analistas apontam ainda para um fator mais sutil. O tempo político mudou. O país que elegeu Lula no início dos anos 2000 não é o mesmo de hoje. O eleitorado se transformou, as redes sociais alteraram o ritmo da política e a paciência da opinião pública tornou-se mais curta que um fósforo recém-riscado.

Nesse novo ambiente, lideranças precisam se reinventar constantemente. Quem permanece preso a discursos antigos corre o risco de parecer uma fotografia amarelada em um álbum digital.

É nesse ponto que a imagem de Lula começa a enfrentar um dilema delicado. Para seus apoiadores, ele continua sendo um símbolo histórico. Para seus adversários, tornou-se um produto político desgastado. Algo como um alimento que já passou da data de validade, ainda reconhecível, mas cercado por desconfiança.

As pesquisas de opinião funcionam como um espelho frio desse momento. Elas não criam a realidade política. Apenas registram aquilo que já começa a se mover nas ruas.

Se essa tendência se consolidar, o fenômeno poderá ser descrito com uma metáfora simples. A estrela que brilhou intensamente por décadas começa a perder luminosidade. Não desaparece de imediato. Mas já não ilumina o céu político com a mesma intensidade de antes.

E na política, como na natureza, quando uma estrela perde brilho, outras começam a disputar espaço no firmamento.

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A NOTÍCIA E O FATO
A NOTÍCIA E O FATO
Sobre Douglas Ferreira é multimídia. Além de jornalista, é bacharel em Direito. Foi repórter da TV Clube, afiliada da Rede Globo, por 10 anos e, em Caxias, no Maranhão, apresentou o programa “Fala Caxias”. Fundou e dirigiu por seis anos a Folha do Cocais. Foi secretário de Comunicação da Prefeitura de Caxias e retornou a Teresina como âncora da TV Meio Norte. Por 20 anos, reportou e apresentou na TV Antena 10, afiliada da Record. Também foi assessor de imprensa do Tribunal de Justiça do Piauí e passou por rádios e pelos maiores portais do Estado. Sua vida é o jornalismo. No Sistema Move de Comunicação, foi editor do Portal Move Notícias e apresentador do Business Cast, do canal movetvweb no YouTube. Agora, está à frente do Gazeta Hora1.
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