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Após décadas de proibição, Testemunhas de Jeová passam a aceitar transfusão autóloga de sangue

“Nova luz” escancara adaptação de um grupo historicamente fundamentalista, pressionado pelo avanço da informação e por decisões judiciais recentes

23/03/2026 às 10h06
Por: Douglas Ferreira
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Imagem gerada por inteligencia artificial
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As Testemunhas de Jeová anunciaram na última sexta (20) uma mudança relevante em sua orientação sobre tratamentos médicos: fiéis passam a poder autorizar a retirada, armazenamento e posterior reinfusão do próprio sangue em cirurgias planejadas. A medida representa uma flexibilização dentro de uma doutrina historicamente marcada pela rejeição a transfusões, embora a proibição do uso de sangue de outras pessoas permaneça intacta.

A atualização foi apresentada como uma decisão de responsabilidade individual, frequentemente descrita internamente como uma “nova luz”, termo usado pelo grupo para indicar ajustes de entendimento doutrinário. Apesar disso, a essência da crença sobre a chamada “santidade do sangue” não foi alterada, segundo lideranças da religião.

Para críticos, no entanto, a mudança vai além de uma simples atualização religiosa e revela um movimento mais amplo de adaptação. Classificado por muitos como um grupo de perfil fundamentalista, o movimento tem sido pressionado por transformações sociais, pela circulação de informações nas redes e por decisões judiciais que têm questionado práticas consideradas restritivas.

Nos últimos anos, outras mudanças também chamaram atenção: homens passaram a poder usar barba, mulheres ganharam maior liberdade no vestuário, incluindo o uso de calças, e a resistência ao ensino superior foi reduzida. Além disso, decisões judiciais, como as ocorridas na Noruega, também influenciaram flexibilizações recentes, incluindo a permissão de um nível mínimo de interação social com ex-membros. Antes, sequer era admitido um cumprimento simples, como um “bom dia” ou “oi”. Agora, passou a ser permitido cumprimentar ou dar boas-vindas em contextos específicos, especialmente dentro do ambiente religiosos.

Apesar dessas alterações, especialistas e ex-integrantes avaliam que as mudanças são pontuais e estratégicas, mantendo intacta a estrutura central da doutrina enquanto o grupo tenta se adaptar a um mundo cada vez mais conectado, informado e crítico. O debate sobre até onde essas flexibilizações irão e se representam uma transformação real ou apenas ajustes de sobrevivência, segue em aberto.

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A NOTÍCIA E O FATO
A NOTÍCIA E O FATO
Sobre Douglas Ferreira é multimídia. Além de jornalista, é bacharel em Direito. Foi repórter da TV Clube, afiliada da Rede Globo, por 10 anos e, em Caxias, no Maranhão, apresentou o programa “Fala Caxias”. Fundou e dirigiu por seis anos a Folha do Cocais. Foi secretário de Comunicação da Prefeitura de Caxias e retornou a Teresina como âncora da TV Meio Norte. Por 20 anos, reportou e apresentou na TV Antena 10, afiliada da Record. Também foi assessor de imprensa do Tribunal de Justiça do Piauí e passou por rádios e pelos maiores portais do Estado. Sua vida é o jornalismo. No Sistema Move de Comunicação, foi editor do Portal Move Notícias e apresentador do Business Cast, do canal movetvweb no YouTube. Agora, está à frente do Gazeta Hora1.
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