
A condução do inquérito do Banco Master pelo STF (Supremo Tribunal Federal) e as suspeitas de proximidade entre integrantes da Corte e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro impactaram negativamente a imagem do tribunal. Segundo levantamento AtlasIntel/Estadão, 60% dos brasileiros dizem não confiar no trabalho e nos ministros do STF, enquanto apenas 34% afirmam confiar.
O resultado representa uma queda de 15 pontos percentuais na confiança desde o segundo semestre de 2025, período marcado pela intensificação da atuação do Supremo, incluindo o julgamento de casos ligados à chamada trama golpista que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Os dados indicam que o desgaste não é pontual, mas reflete uma percepção mais ampla da atuação da Corte.
De acordo com a pesquisa, 59,5% dos entrevistados avaliam que a maioria dos ministros não demonstra competência e imparcialidade no julgamento dos processos. Já 34,9% têm uma avaliação positiva. O cenário aponta para uma crescente desconfiança da população em relação ao Judiciário, especialmente ao STF.
O desgaste ganhou força após revelações sobre relações comerciais envolvendo Daniel Vorcaro e integrantes da Corte. As investigações citam contratos ligados à esposa do ministro Alexandre de Moraes e ao ministro Dias Toffoli, o que ampliou a pressão pública e expôs divergências internas sobre a condução do caso. O levantamento também mostra que a queda de confiança atinge diferentes grupos, inclusive eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), onde a percepção positiva caiu 22,7 pontos percentuais desde agosto de 2025.
A pesquisa ouviu 2.090 pessoas entre os dias 16 e 19 de março, por meio de recrutamento digital aleatório. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
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