
A tragédia que tirou a vida do motociclista por aplicativo Edson Barbosa Dias ainda ecoa com força em toda Teresina. No dia seguinte ao atropelamento que chocou a cidade, o clima na casa da família, na Vila Afonso Gil, região do Grande Promorar, zona Sul da capital, é de absoluta desolação. Entre lágrimas, silêncio e incredulidade, parentes e amigos tentam compreender como uma rotina de trabalho terminou de forma tão brutal no cruzamento da Avenida Frei Serafim com a Avenida Miguel Rosa.
O velório foi marcado por um misto de tristeza profunda e revolta. Familiares se revezavam ao lado do caixão enquanto vizinhos e amigos chegavam para prestar as últimas homenagens. O trabalhador de 47 anos, descrito por todos como dedicado à família e à fé, tornou-se símbolo de uma tragédia que ultrapassou o drama doméstico e ganhou as ruas da cidade.
A viúva, Genilda Barbosa, mal consegue encontrar palavras para traduzir o impacto da perda. Abalada, ela rejeita a versão de que o caso tenha sido apenas mais um acidente de trânsito. Para ela, o que ocorreu foi algo muito mais grave.
“Tem gente falando que foi um acidente. Não foi um acidente, foi um assassinato. Destruíram a minha família”, disse, em meio ao choro. Segundo ela, Edson era o único provedor da casa e sustentava a esposa e as duas filhas. Agora, diante do caixão do marido, Genilda se vê diante de um futuro que descreve como incerto e doloroso.
O sofrimento se torna ainda mais visível quando ela recorda a reação das filhas após a tragédia. Uma delas, ainda tentando compreender a dimensão da perda, resumiu a dor em poucas palavras: “Mãe, eu sou uma filha sem pai”.
Entre os presentes no velório, a cena mais dolorosa talvez fosse a da mãe da vítima, dona Raimunda Barbosa. Inconsolável, ela repetia que jamais imaginou presenciar a morte de um filho. Para ela, a lembrança de Edson permanecerá marcada pela imagem de um homem trabalhador e querido.
“Nunca pensei em ver meu filho morto. Tão novo, tão inteligente, tão querido por todo mundo. Tão sadio, trabalhador. Uma situação dessa é muito difícil”, lamentou.
A tragédia ocorreu na manhã de domingo, quando Edson aguardava o sinal abrir no cruzamento entre duas das avenidas mais movimentadas da capital. Segundo imagens de câmeras de segurança, um carro modelo Ônix avançou o semáforo em alta velocidade e atingiu a motocicleta na traseira. Com o impacto, o motociclista foi arremessado vários metros à frente.
O veículo era conduzido pelo engenheiro civil Carlos Eduardo Marques Ângelo. Ele foi detido após o acidente e encaminhado à delegacia. Posteriormente, acabou indiciado por homicídio qualificado com dolo eventual, conforme informou o delegado Odilo Sena.
As investigações ganharam ainda mais repercussão após a informação de que, dentro do carro, foram encontrados uma garrafa de bebida alcoólica parcialmente consumida e substância semelhante à maconha. A revelação ampliou a indignação popular e levantou questionamentos que ainda aguardam respostas definitivas.
Afinal, o motorista estava embriagado? Estava sob efeito de drogas? Ou conduzia o veículo de forma consciente, assumindo o risco de provocar uma tragédia?
Enquanto essas respostas não chegam, a morte de Edson Barbosa continua sendo discutida por toda a cidade. O caso dominou as redes sociais, as conversas em bares, praças, locais de trabalho e bairros da periferia ao centro de Teresina. As imagens do atropelamento, amplamente divulgadas, provocaram uma onda de revolta, tristeza e indignação.
Para muitos moradores da capital, o episódio expõe um problema que se repete com frequência nas grandes cidades brasileiras: a mistura explosiva entre imprudência, velocidade e, possivelmente, álcool ou drogas ao volante.
Mas para a família de Edson, o debate público não diminui a dor da perda. O que resta é o silêncio pesado da casa, o vazio deixado por quem saía todos os dias para trabalhar e a sensação de que uma vida inteira foi interrompida em segundos.
Na memória da esposa, da mãe e das filhas, fica a imagem de um homem simples, trabalhador e devoto. E também a pergunta que ainda ecoa entre lágrimas e indignação: como uma vida pode ser interrompida de forma tão brutal em plena luz do dia?
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