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Política RACHA NA BASE

MDB racha e Lula sente o baque, quando a base começa a desembarcar

Manifesto assinado por 16 diretórios estaduais expõe fragilidade da aliança com o PT e pode isolar o presidente na corrida de 2026

04/03/2026 às 04h37
Por: Douglas Ferreira
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O suposto desembarque do MDB deixou Lula preocupado - Foto: Reprodução
O suposto desembarque do MDB deixou Lula preocupado - Foto: Reprodução

Alguém já disse que eleição é uma caixinha de surpresa. Mas quando o cenário envolve um governo desgastado e um presidente politicamente enfraquecido, as surpresas deixam de ser acaso e passam a ser consequência.

O que aconteceu dentro do Movimento Democrático Brasileiro, MDB, não é um ruído, é um sinal.

A assinatura de um manifesto por 16 diretórios estaduais contra uma aliança nacional com o PT de Luiz Inácio Lula da Silva é um gesto político calculado. Não é rebeldia isolada, é movimento estratégico.

O que motivou o racha?

Três fatores explicam o desembarque parcial.

Primeiro, desgaste do governo federal, inflação persistente, pressão fiscal e críticas à condução econômica tornam Lula um aliado menos atrativo eleitoralmente fora do Nordeste.

Segundo, cálculo regional, diretórios do Sul, Sudeste e Centro-Oeste avaliam que colar no PT pode comprometer eleições estaduais e municipais, especialmente onde o eleitorado é majoritariamente antipetista.

Terceiro, autonomia e sobrevivência partidária, o MDB quer manter sua tradição de partido pêndulo, capaz de negociar com qualquer governo sem se comprometer ideologicamente.

O recado é claro, o partido não quer ser arrastado para uma candidatura que pode não ter fôlego nacional.

Quem manobra a favor e quem manobra contra Lula?

Dentro da legenda há dois campos bem definidos.

De um lado, Renan Calheiros e Helder Barbalho, que defendem a indicação do vice na chapa de Lula. Para eles, estar no núcleo do poder garante espaço, orçamento e influência.

Do outro, líderes como Daniel Vilela, Ricardo Nunes e Sebastião Melo articulam resistência. O argumento é pragmático, uma aliança formal pode travar o crescimento do partido e afastar quadros que pretendem migrar na janela partidária.

No meio do fogo cruzado está o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, pressionado a arbitrar uma decisão que pode redefinir o papel da sigla em 2026.

Qual o impacto imediato para Lula?

O impacto é simbólico e político.

O MDB não é qualquer aliado, é o partido com maior capilaridade municipal do país. Prefeituras, vereadores, deputados estaduais e federais espalhados por todas as regiões.

Quando 16 diretórios defendem neutralidade, o que está em jogo não é apenas uma formalidade partidária, é tempo de TV, estrutura local, palanques estaduais, capacidade de mobilização e construção de narrativa de frente ampla.

Sem o MDB nacionalmente fechado com o PT, Lula perde musculatura política fora do seu reduto tradicional.

Pode virar tendência?

Sim. E esse é o ponto mais sensível.

Desembarques têm efeito dominó. Quando um partido do tamanho do MDB começa a ensaiar neutralidade, outros aliados menores passam a recalcular riscos. A lógica eleitoral é fria, ninguém quer estar ao lado de quem pode perder.

Se a percepção de fragilidade do governo aumentar, novos movimentos podem surgir, especialmente entre partidos do chamado centrão, que operam por pragmatismo, não por lealdade ideológica.

Lula pode ficar isolado?

Isolado totalmente, não. O PT mantém base sólida no Nordeste e alianças estratégicas.

Mas pode ficar regionalmente restrito.

E eleição presidencial se ganha com amplitude nacional.

Se o MDB optar por neutralidade, Lula perde a possibilidade de uma chapa de coalizão ampla e reforça a narrativa adversária de que seu governo perdeu tração política.

O que o MDB realmente quer?

O MDB quer o que sempre quis, sobreviver, crescer, negociar do alto, estar perto do poder, mas nunca dependente dele.

Neutralidade hoje pode significar liberdade de negociação amanhã.

E o MDB do Piauí?

No Piauí, o xadrez político também pode produzir resultado surpreendente. O governador Rafael Fonteles rifou o principal aliado ao renegar o vice Themístocles Filho, gesto que deixou marcas profundas na relação com o MDB. Por mais que o Palácio de Karnak tente minimizar, a relação com o partido do senador Marcelo Castro não atravessa seu melhor momento.

Marcelo tem, até agora, o aval do PT para disputar a reeleição ao Senado. Mas o movimento de Fonteles abriu fissuras. E cristal trincado não volta a ser inteiro. Pode até permanecer de pé, mas nunca mais será o mesmo.

Embora o MDB do Piauí mantenha uma aparente aliança com o Karnak, o revés não é descartado. Em política, lealdade tem prazo de validade. E quando a confiança é abalada, o cálculo eleitoral passa a falar mais alto.

O manifesto nacional não é apenas um documento, é um termômetro.

Mostra que parte relevante da base governista já não considera automática a permanência ao lado do Planalto. E quando aliados começam a discutir saída antes da campanha oficial, é sinal de que o capital político do presidente já não é o mesmo.

Eleição é caixinha de surpresa.

Mas quando a base começa a rachar, a surpresa deixa de ser mistério e passa a ser cálculo.

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A NOTÍCIA E O FATO
A NOTÍCIA E O FATO
Sobre Douglas Ferreira é multimídia. Além de jornalista, é bacharel em Direito. Foi repórter da TV Clube, afiliada da Rede Globo, por 10 anos e, em Caxias, no Maranhão, apresentou o programa “Fala Caxias”. Fundou e dirigiu por seis anos a Folha do Cocais. Foi secretário de Comunicação da Prefeitura de Caxias e retornou a Teresina como âncora da TV Meio Norte. Por 20 anos, reportou e apresentou na TV Antena 10, afiliada da Record. Também foi assessor de imprensa do Tribunal de Justiça do Piauí e passou por rádios e pelos maiores portais do Estado. Sua vida é o jornalismo. No Sistema Move de Comunicação, foi editor do Portal Move Notícias e apresentador do Business Cast, do canal movetvweb no YouTube. Agora, está à frente do Gazeta Hora1.
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