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Internacional VATICANISTA

Quaresma: a ajuda de Deus

Um jornalista vaticanista é um profissional especializado na cobertura jornalística da Santa Sé, do Papa e da Igreja Católica Romana. Eles atuam como correspondentes ou analistas que interpretam as complexas questões políticas, diplomáticas e religiosas do Vaticano para o público geral, geralmente possuindo acesso privilegiado e profundo conhecimento de seus bastidores. Mais do que relatar notícias, interpretam as “sombras” e as dinâmicas de poder dentro do menor país do mundo.

24/02/2026 às 07h49 Atualizada em 24/02/2026 às 08h04
Por: Josenildo Melo Fonte: https://www.vaticannews.va/en.html
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Foto: https://coramfratribus.com/
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Exercícios Espirituais da Quaresma, 3ª meditação: a ajuda de Deus

O bispo Erik Varden faz sua terceira reflexão nos Exercícios Espirituais no Vaticano para o Papa Leão XIV, os cardeais residentes em Roma e os chefes dos Dicastérios, concentrando-se no tema: "A ajuda de Deus". Publicamos um resumo de sua reflexão.

Dom Erik Varden, OCSO*

A ideia de que Deus pode e quer nos ajudar em nossas dificuldades é um axioma da fé bíblica. Ela distingue o Deus de Abraão, Isaac e Jacó — o Deus que, em Cristo Jesus, se fez compaixão encarnada — do Motor Imóvel da filosofia.

O Salmo 90 começa com o versículo: “Qui habitat in adiutorio Altissimi”, isto é: “Tu que habitas sob a proteção do Altíssimo”.

O auxílio de Deus, diz Bernardo, pode ser definido como uma morada, pois constitui uma realidade que nos sustenta, dentro da qual podemos viver, mover-nos e existir. O auxílio de Deus não é ocasional; não é um serviço de emergência ao qual recorremos quando uma casa pega fogo ou alguém é atropelado, como se ligássemos para o 192.

Mas o que dizer dos casos em que pessoas tementes a Deus caem e parecem ser abandonadas? O que dizer quando clamam ao céu sem obter nenhuma resposta, ouvindo apenas o eco desolado da própria voz?

A figura bíblica dessa condição é Jó, cujo livro grandioso pode ser percebido como uma sinfonia em três movimentos: passando do lamento visceral a uma exposição da ameaça, até a experiência inesperada da graça.

Jó não aceita as racionalizações de seus amigos. Recusa-se a pensar que Deus esteja fazendo contas com sua vida como se fosse um balanço contábil. Está determinado a encontrar Deus presente na aflição, clamando heroicamente: “Quem, senão Ele, pode fazer isto?”

Como fiéis, podemos considerar a religião como uma apólice de seguro: certos de poder contar com a ajuda de Deus, julgamos estar a salvo do perigo. O mundo parece desmoronar se, e quando, o mal nos atinge. Como enfrento as provações que parecem sem sentido, que destroem minhas barreiras protetoras? Meu relacionamento com Deus é uma forma de negociação, de modo que, quando as coisas se tornam difíceis, sou levado a seguir o conselho da mulher de Jó de “amaldiçoar Deus e morrer”?

Deus pode tornar possível um mundo novo e abençoado depois de derrubar os muros que pensávamos ser o mundo — muros dentro dos quais, na verdade, estávamos sufocando.

Habitar no auxílio de Deus, como nos ensina São Bernardo, não significa negociar seguranças. Significa atravessar o lamento e a ameaça para aprender a viver com graça nesse novo nível de profundidade e, assim, permitir que outros O encontrem.

Josenildo Melo é Vaticanista!

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