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Economia EFEITO DOMINÓ

Banco Pleno em liquidação, no rastro do colapso do Master

Intervenção do Banco Central expõe efeito dominó entre instituições de crédito agressivo, aciona o FGC e reacende alerta sobre riscos sistêmicos no mercado financeiro

18/02/2026 às 11h57
Por: Douglas Ferreira
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O Master que não era Master e o Pleno que nunca foi Pleno - Foto: Reprodução
O Master que não era Master e o Pleno que nunca foi Pleno - Foto: Reprodução

Banco Pleno afunda e expõe a ressaca dos “visionários” do crédito fácil

A liquidação extrajudicial do Banco Pleno S.A., decretada nesta quarta-feira (18) pelo Banco Central, não é um raio em céu azul. É mais um capítulo de uma história que vinha sendo escrita com tinta colorida demais para balanços que nunca fecharam. O Pleno, que já se chamou Voiter e integrou o conglomerado do Banco Master, era controlado pelo empresário Augusto Lima, o “Guga”, ex-sócio de Daniel Vorcaro. Agora, entra para a estatística das instituições que sucumbiram sob o peso de sua própria engenharia financeira.

O Banco Central foi direto ao ponto: houve comprometimento da situação econômico-financeira, deterioração da liquidez, infrações às normas que regem a atividade e descumprimento de determinações da autoridade monetária. Resultado: liquidação extrajudicial, extensão do regime especial à Pleno DTVM e indisponibilidade de bens de controladores e administradores.

Pequeno no tamanho, 0,04% dos ativos e 0,05% das captações do Sistema Financeiro Nacional, grande no impacto para seus clientes. Segundo o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o Banco Pleno possui cerca de 160 mil credores com depósitos elegíveis que somam R$ 4,9 bilhões. A conta, agora, vai para o FGC.

O efeito dominó

A derrocada do Pleno ocorre em meio ao abalo provocado por problemas envolvendo o Banco Master e outras instituições de menor porte que surfaram na onda do crédito agressivo e das captações turbinadas por taxas sedutoras. Some-se a isso os R$ 40,6 bilhões ligados ao Banco Master e os R$ 6,3 bilhões do Will Bank, também liquidados, e chega-se a uma cifra estimada de R$ 51,8 bilhões em garantias acionadas, sem contar empréstimos emergenciais.

Seria o “efeito Banco Master”? Oficialmente, o BC trata cada caso de forma individual. Mas, no mercado, poucos acreditam em coincidências. Modelos de negócios parecidos, estratégias de captação semelhantes e uma retórica empresarial que confundia ousadia com imprudência ajudam a traçar paralelos inevitáveis.

A ilusão da rentabilidade fácil

Durante anos, parte da mídia especializada e um exército de entusiastas trataram certos banqueiros como “visionários”. A promessa era simples: rentabilidade acima da média, inovação disruptiva, eficiência fora da curva. Mas a matemática é implacável. Quando a taxa oferecida é muito superior à praticada pelo mercado, alguém está assumindo um risco proporcional, ou maior.

A conta não fecha. Nunca fechou. E, cedo ou tarde, a engrenagem cobra seu preço.

O problema é que, enquanto o discurso prospera, os recursos dos investidores alimentam estruturas frágeis. O FGC cobre até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição. Para a imensa maioria dos clientes, segundo o próprio fundo, 99,6% estão integralmente protegidos, isso basta. Mas para investidores com aportes milionários, o teto é insuficiente. O excedente entra na fila da liquidação, onde o tempo e a incerteza passam a ser protagonistas.

Como funciona o colchão de segurança

Criado em 1995, o FGC é uma entidade privada, sem fins lucrativos, mantida por contribuições mensais das instituições associadas, 1 ponto-base sobre os depósitos elegíveis. Ele cobre depósitos à vista, poupança, CDB, RDB, LCI, LCA, LC e LH, entre outros produtos.

Não é dinheiro público, mas também não é infinito. O fundo foi desenhado para proteger o sistema e preservar a confiança, ativo essencial do mercado financeiro. Cada nova liquidação testa essa engrenagem.

O que fica

O Banco Central afirma que continuará apurando responsabilidades, podendo aplicar sanções administrativas e comunicar autoridades competentes. A indisponibilidade de bens é um sinal claro de que a investigação não será meramente protocolar.

O episódio do Banco Pleno reforça uma lição antiga: não existe mágica em finanças. Taxas muito acima do mercado não são um prêmio pela genialidade do gestor, são, quase sempre, o reflexo de riscos igualmente elevados.

Entre “aventureiros” e “visionários”, a diferença está na consistência dos números. Quando o verniz da narrativa descasca, restam balanços, normas e liquidez. E, sem esses três pilares, qualquer castelo, por mais sofisticado que pareça, acaba revelando sua base de areia.

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A NOTÍCIA E O FATO
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Sobre Douglas Ferreira é multimídia. Além de jornalista, é bacharel em Direito. Foi repórter da TV Clube, afiliada da Rede Globo, por 10 anos e, em Caxias, no Maranhão, apresentou o programa “Fala Caxias”. Fundou e dirigiu por seis anos a Folha do Cocais. Foi secretário de Comunicação da Prefeitura de Caxias e retornou a Teresina como âncora da TV Meio Norte. Por 20 anos, reportou e apresentou na TV Antena 10, afiliada da Record. Também foi assessor de imprensa do Tribunal de Justiça do Piauí e passou por rádios e pelos maiores portais do Estado. Sua vida é o jornalismo. No Sistema Move de Comunicação, foi editor do Portal Move Notícias e apresentador do Business Cast, do canal movetvweb no YouTube. Agora, está à frente do Gazeta Hora1.
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