Domingo, 28 de Junho de 2026
29°

Tempo nublado

Teresina, PI

Política DISSENSO NO PT

Racha à vista? Flávio Nogueira contesta “chapa fechada” e expõe fissuras no projeto do PT para 2026

Deputado critica definição antecipada da composição governista no Piauí, questiona acordo costurado desde 2022 e contraria discurso de consenso defendido por Rafael Fonteles e aliados

17/02/2026 às 11h56 Atualizada em 17/02/2026 às 14h33
Por: Douglas Ferreira
Compartilhe:
Flávio Nogueira questiona antecipação da chapa karnakiana - Foto: Reprodução
Flávio Nogueira questiona antecipação da chapa karnakiana - Foto: Reprodução

 

O discurso de unidade dentro do Partido dos Trabalhadores no Piauí começa a apresentar rachaduras visíveis. O que parte da base aliada trata como “acordo consolidado” para 2026 é visto por setores do próprio PT como precipitação política. E quem vocaliza essa insatisfação não é um opositor, mas um deputado federal da legenda.

Flávio Nogueira classificou como “decisão precipitada” o fechamento antecipado da chapa governista para as eleições de 2026. A crítica surge após articulações envolvendo o ministro Wellington Dias sobre a possibilidade de o PT lançar candidatura própria ao Senado.

“Eu acho que o fechamento da chapa foi precipitado. Esse trato vem desde a eleição de 2022 e agora querem consolidar isso”, afirmou o parlamentar.

A declaração não é trivial. Ela revela que o suposto consenso em torno da composição majoritária está longe de ser absoluto dentro do próprio partido. Nos bastidores, lideranças da base tratam como praticamente definida a manutenção dos nomes do senador Marcelo Castro (MDB) e do deputado federal Júlio César (PSD) para as duas vagas ao Senado, com Washington Bandeira (PT) indicado para a vice-governadoria.

O governador Rafael Fonteles tem reiterado confiança no entendimento firmado entre os partidos da base e sinalizado alinhamento com a direção nacional da legenda, citando os dirigentes Fábio Novo e Edinho Silva como responsáveis pela condução do acordo. Segundo ele, as pré-candidaturas contam com apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ser formalizado dentro do calendário eleitoral.

O presidente municipal do PT, João Pereira, foi ainda mais enfático ao afirmar que “a chapa está fechada” e que “nada vai mudar”.

Mas a fala de Flávio Nogueira sugere que, internamente, nem todos concordam com essa narrativa de unanimidade. O que está em jogo vai além de nomes. Trata-se de espaço político, protagonismo partidário e estratégia de poder.

Desde 2022, o PT abriu mão das duas vagas ao Senado em favor de aliados estratégicos. Agora, parte da militância e de quadros históricos questiona se o partido, sendo o principal fiador do projeto estadual e nacional, deve novamente abdicar de disputar uma das cadeiras. A eventual candidatura própria ao Senado representaria não apenas ambição eleitoral, mas afirmação de identidade.

A antecipação do debate também levanta outro ponto sensível. Definir composição majoritária com tanta antecedência pode reduzir margem de negociação futura e engessar o cenário político. Ao mesmo tempo, a consolidação precoce busca transmitir estabilidade e previsibilidade à base aliada.

O embate, portanto, não é apenas sobre 2026. É sobre método e comando. Quem decide? A direção nacional? O governador? As lideranças locais? Ou o conjunto da militância?

A manifestação pública de Flávio Nogueira indica que o dissenso deixou os corredores internos e ganhou luz. Em política, quando divergências passam do sussurro ao microfone, é sinal de que a tensão já ultrapassou o estágio silencioso.

Se o acordo será mantido ou revisto, ainda é cedo para afirmar. Mas uma coisa é clara: o projeto de poder petista no Piauí, tratado como consolidado por alguns, ainda enfrenta resistências dentro de casa.

E, como a própria história do PT demonstra, as disputas internas costumam ser tão intensas quanto as travadas contra adversários externos.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
A NOTÍCIA E O FATO
A NOTÍCIA E O FATO
Sobre Douglas Ferreira é multimídia. Além de jornalista, é bacharel em Direito. Foi repórter da TV Clube, afiliada da Rede Globo, por 10 anos e, em Caxias, no Maranhão, apresentou o programa “Fala Caxias”. Fundou e dirigiu por seis anos a Folha do Cocais. Foi secretário de Comunicação da Prefeitura de Caxias e retornou a Teresina como âncora da TV Meio Norte. Por 20 anos, reportou e apresentou na TV Antena 10, afiliada da Record. Também foi assessor de imprensa do Tribunal de Justiça do Piauí e passou por rádios e pelos maiores portais do Estado. Sua vida é o jornalismo. No Sistema Move de Comunicação, foi editor do Portal Move Notícias e apresentador do Business Cast, do canal movetvweb no YouTube. Agora, está à frente do Gazeta Hora1.
Teresina, PI Atualizado às 11h01 - Fonte: ClimaTempo
29°
Tempo nublado

Mín. 23° Máx. 32°

Seg 36°C 22°C
Ter 36°C 21°C
Qua 36°C 20°C
Qui 37°C 23°C
Sex 36°C 25°C
Horóscopo
Áries
Touro
Gêmeos
Câncer
Leão
Virgem
Libra
Escorpião
Sagitário
Capricórnio
Aquário
Peixes