
A brutalidade do assassinato das irmãs Rithiele e Rayane Alves Porto, no Mato Grosso, expõe uma realidade aterrorizante que o Brasil insiste em ignorar: o domínio do crime organizado, mesmo de dentro das prisões. O caso ganha ares ainda mais perturbadores quando se descobre que as execuções foram transmitidas por videochamada a um presidiário, supostamente o mandante do crime. O que mais choca é a naturalidade com que essas atrocidades ocorrem, sob o olhar inerte das autoridades e da sociedade.
Rithiele, candidata a vereadora, e sua irmã, Rayane, foram sequestradas após um festival de pesca e submetidas a três horas de tortura, seguidas de assassinato. Nove pessoas foram presas, mas a mente por trás da barbárie estava a 358 km de distância, na Penitenciária Central do Estado, em Cuiabá. O presidiário teria monitorado a execução em tempo real, como se estivesse assistindo a um espetáculo macabro, dando instruções aos executores que seguiam suas ordens cegamente. Tudo isso ocorreu enquanto as vítimas já estavam “decretadas” pela facção criminosa.
A motivação do crime? Uma simples foto nas redes sociais, onde as irmãs, sem envolvimento aparente com práticas ilícitas, faziam um gesto associado a uma facção rival ao PCC. Esse gesto, aparentemente inofensivo, foi o suficiente para selar o destino das irmãs nas mãos do tribunal do crime.
Esse caso só ganhou atenção nacional porque uma das vítimas era candidata a um cargo político. Mas quantas vítimas anônimas, sem holofotes, são brutalmente assassinadas todos os dias por esse tribunal paralelo? Enquanto a Constituição Federal proíbe a pena de morte, o Estado paralelo controlado pelas facções a implementa sem restrições, operando em pleno território brasileiro.
A barbárie que atingiu as irmãs Alves Porto não é um fato isolado. É um lembrete do poder crescente das facções, que já não respeitam fronteiras – nem as físicas das celas, nem as morais da vida. Até quando o Brasil vai continuar a assistir calado? Até quando seremos espectadores dessa violência sistemática e bizarra que consome o país de dentro para fora?
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