
Teresina amanheceu mais silenciosa na madrugada desta quinta-feira, 12, com a despedida de uma de suas filhas mais queridas. Aos 86 anos, faleceu Maria do Horto Santana Silva, mulher cuja trajetória foi construída sobre pilares sólidos de fé, serenidade, humanidade e amor ao próximo. Para familiares, amigos e todos que tiveram o privilégio de conhecê-la, Dona Maria do Horto não foi apenas uma presença constante, mas um verdadeiro ponto de equilíbrio.
Reconhecida unanimemente como uma mulher de paz, sua convivência era marcada pela capacidade rara de acolher, ouvir e compreender. Sua fé não se expressava apenas nas palavras, mas sobretudo nos gestos cotidianos, na forma respeitosa com que tratava a todos, das pessoas mais simples às mais graduadas, sempre com a mesma distinção, cortesia e dignidade.
Além do papel central que exerceu na família, Dona Maria do Horto construiu uma trajetória relevante no serviço público. Foi professora do Estado e do município de Teresina, dedicando décadas à educação e à formação de gerações. Ao longo de sua carreira, ocupou por muitos anos a função de Chefe do Setor de Transporte da Secretaria de Educação, cargo que exerceu com responsabilidade, zelo e senso de organização, sendo lembrada pela postura ética e pelo compromisso com o interesse público.
Viúva do major da Polícia Militar do Piauí, Otávio Correia da Silva, Dona Maria do Horto construiu uma família numerosa e sólida. Foi mãe de dez filhos, seis dos quais seguem vivos, entre eles o empresário e advogado Milton Correia, que costuma traduzir a essência da mãe em palavras que misturam admiração e gratidão. Para ele, Dona Maria não apenas viveu, mas cumpriu uma missão.
“Mamãe era uma guerreira inquieta. Sempre ativa e sempre tinha uma coisa a dizer. Ela não veio ao mundo para não deixar um legado. Era fiel, sincera e verdadeira”, afirmou o filho. Na definição de Milton Correia, Maria do Horto se assemelhava a um bom vinho, que melhora com o tempo: “Ela maturou ao longo da vida e se foi sendo o melhor que um ser humano pode ser”.
Com o passar dos anos, Dona Maria não apenas envelheceu, amadureceu. Ganhou experiência, refinou a sensibilidade e cultivou um bom humor peculiar, conhecido pelas tiradas espirituosas e comentários certeiros que arrancavam sorrisos mesmo nos momentos mais difíceis. Essa combinação de firmeza e leveza fez dela uma referência afetiva dentro e fora do círculo familiar.
Dona Maria do Horto faleceu em consequência de uma queda doméstica. Ela chegou a ser hospitalizada, mas o quadro clínico evoluiu para um Acidente Vascular Cerebral (AVC), que resultou em seu óbito.
A partida de Maria do Horto Santana Silva deixa saudade, mas não vazio. Seu legado permanece vivo na memória, nos ensinamentos e na forma como moldou gerações com valores que resistem ao tempo. Teresina se despede de uma mulher simples e, ao mesmo tempo, grandiosa, daquelas cuja ausência é sentida, mas cuja presença jamais se apaga.
O velório está sendo realizado no Memorial São José, localizado na Rua Picos, nº 3150, em Teresina. O sepultamento está previsto para as 8h desta sexta-feira, 13, no Cemitério São Judas Tadeu.

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