
Quem ainda acredita que o descaso da Águas de Teresina se limita às periferias da capital precisa rever seus conceitos. O problema agora escorre a céu aberto em uma das áreas mais centrais e movimentadas da cidade. Na Rua São Pedro, no bairro Frei Serafim/Ilhotas, a população convive, nos últimos dias, com um aguaceiro constante que não tem relação com chuvas intensas, mas com a absoluta falta de ação da concessionária responsável pelo abastecimento e saneamento.
Historicamente, o sistema de drenagem da região central de Teresina não é exemplar, mas cumpre sua função. Mesmo após chuvas fortes, a água costuma escoar com rapidez, deixando ruas e avenidas secas em poucas horas. O que se vê agora é diferente, e alarmante. Mesmo em dias de tempo firme, pontos de água se acumulam no meio do asfalto, formando verdadeiras armadilhas para pedestres, motociclistas e motoristas.
O trecho mais crítico começa no cruzamento da Rua São Pedro com a Rua Santa Catarina. Ali, a lâmina d’água ocupa parte da via e impõe transtornos diários, especialmente a quem precisa circular a pé. Pais que buscam filhos na Escolinha do Sesc relatam dificuldades e indignação. “Isso é lamentável, um descaso com a cidade”, reclamou Teresa Cristina, enquanto aguardava o filho. Para Moacir Ribeiro, o problema é claro: “Esse desperdício é resultado da falta de manutenção da empresa responsável pelo abastecimento”.
A situação se repete, e se agrava, no cruzamento da São Pedro com a Rua Mato Grosso. A água toma conta da esquina e escorre pela canaleta até a porta de uma clínica especializada em câncer de mama. “É um absurdo uma situação dessa em frente a um hospital”, denunciou Jade Cruz, que acompanhava a mãe a uma consulta. Em um local que deveria transmitir cuidado e dignidade, o cenário é de abandono e negligência.
À medida que se desce a Rua São Pedro, o volume de água aumenta, ganha velocidade e, em alguns trechos, impede completamente a passagem pelas calçadas. Motoristas passam em disparada, molhando quem tenta seguir o caminho a pé. O constrangimento vira rotina. O risco de acidentes cresce. O desperdício de água tratada segue livre, visível, escancarado.
O caso, em tese, é de responsabilidade direta da Águas de Teresina. Mas até agora nenhum técnico apareceu, nenhuma equipe foi vista, nenhuma explicação foi dada. O silêncio da empresa contrasta com a conta que chega rigorosamente no fim do mês — alta, pontual e implacável.
O que se vê na Rua São Pedro não é um episódio isolado. É um sintoma. Um retrato fiel de uma concessão que cobra eficiência, mas entrega omissão; que fala em modernização, mas pratica o abandono; que exige do cidadão, mas ignora a cidade. Enquanto a Águas de Teresina não age, a população paga, em dinheiro, em transtorno e em indignação.
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