
Dez meses após um crime que chocou Paulistana e reverberou em todo o Piauí, uma pergunta segue ecoando com força inquietante: onde está Adelaido Gomes Celestino? Em que buraco se meteu o homem acusado de assassinar a própria irmã, a advogada Valdenice Gomes Celestino Soares?
Desde o dia 3 de março de 2025, quando Valdenice foi brutalmente executada, Adelaido desapareceu do mapa. Sumiu. Escafedeu-se. Continua no Piauí? Cruzou divisas? Está escondido na Bahia, em Pernambuco ou fora do país? As respostas ainda não vieram. O que se sabe é que ele segue foragido, com mandado de prisão em aberto, desafiando a polícia e a Justiça brasileira.
Cada dia em liberdade não é apenas um número a mais no calendário da impunidade. Representa angústia para os familiares, insegurança para a população e uma ferida aberta para a sociedade paulistanense.
As investigações da Polícia Civil do Piauí apontam que Valdenice foi vítima de uma emboscada cuidadosamente articulada. Ela retornava de uma visita à sua propriedade rural — onde havia ido consertar uma cerca que vinha sendo danificada com frequência — quando foi surpreendida e alvejada por vários disparos de arma de fogo, principalmente na região do pescoço.
No veículo estavam também uma irmã e o neto da vítima, o que torna o crime ainda mais estarrecedor. Não foi um ato de impulso. Foi execução.
Durante o inquérito, testemunhas relataram que Valdenice vinha sofrendo ameaças constantes de irmãos, inconformados com sua atuação como inventariante no processo de partilha das terras da família.
Áudios e mensagens entregues à polícia, atribuídos a Narciso Gomes Celestino, outro irmão da vítima, reforçam a gravidade do contexto. Em uma das declarações, ele afirma sem rodeios:
“Isso não se resolve na Justiça, mas sim na bala”.
A frase, agora sob análise policial, sintetiza o ambiente de violência, intimidação e desprezo pela legalidade que antecedeu o crime.
A Polícia Civil aponta que Gabriel Celestino, filho de Adelaido, teve participação direta na fuga do pai. Ele foi visto em uma motocicleta nas proximidades do local do crime e, ainda no mesmo dia, em outro município, vestindo roupas compatíveis com as descrições de testemunhas.
Relatórios técnicos indicam que o celular de Gabriel estava conectado ao mesmo ponto de internet utilizado por Adelaido na localidade do crime, o que contradiz frontalmente o depoimento prestado por ele à polícia.
Já Narciso Celestino é apontado como possível instigador do homicídio. Há indícios de pressão psicológica, mensagens cobrando uma “solução” e até a suspeita de que ele possa ter sido o responsável pelo envio da arma utilizada no assassinato.
Outro ponto central da investigação é o desaparecimento do celular da vítima. A principal hipótese é de que o aparelho tenha sido destruído ou ocultado para eliminar provas, numa tentativa deliberada de obstrução da Justiça.
As forças de segurança trabalham com diversas hipóteses, inclusive a de que Adelaido esteja fora do país. A prisão, segundo investigadores, é questão de tempo. Mas o tempo, neste caso, cobra um preço alto.
Enquanto o acusado segue solto, a sensação é de que o crime ainda não terminou. Porque a fuga prolongada não é apenas ausência — é um lembrete diário de que a Justiça precisa ser mais rápida do que a impunidade.
E a pergunta permanece, incômoda e necessária:
onde andará Adelaido Celestino?
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