
Após dois anos de perdas provocadas pelo excesso de chuvas, os produtores de azeite no Brasil vivem um momento de otimismo. As condições climáticas mais equilibradas e o amadurecimento dos olivais impulsionaram a produção, criando a expectativa de uma safra recorde em 2026. No Rio Grande do Sul e na Serra da Mantiqueira, principais regiões produtoras, as árvores apresentam alta carga de frutos, cenário considerado inédito por muitos agricultores.
Segundo Bob Costa, fundador do azeite Sabiá, as plantações estão mais produtivas do que nunca. No Rio Grande do Sul, todas as variedades registram forte desempenho. Dados do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) apontam que o estado também teve a maior média de horas de frio dos últimos 20 anos, fator essencial para a boa formação das flores. A entidade projeta que a produção nacional supere os 640 mil litros registrados em 2023, podendo mais que dobrar em relação ao ano passado.
Empresas do setor já trabalham com metas ambiciosas. Em Viamão (RS), a Estância das Oliveiras prevê produzir 15 mil litros de azeite extravirgem, mais que o dobro de 2025. O grupo Sabiá estima colher 350 toneladas de azeitonas em sua fazenda gaúcha, resultando em cerca de 35 mil litros de azeite. Em São Paulo, a produção também deve crescer, mesmo com o atraso na colheita provocado pelas chuvas recentes na Mantiqueira.
Apesar da expansão, a produção brasileira ainda representa cerca de 1% do consumo nacional, dominado por países europeus como Espanha, Portugal e Itália. No médio prazo, porém, o cenário é promissor. Com o envelhecimento dos olivais, a produtividade tende a aumentar significativamente. Enquanto árvores jovens produzem cerca de cinco quilos por ano, plantas mais maduras podem render até 35 quilos. Produtores projetam alcançar, nos próximos anos, a marca de 50 mil litros anuais, consolidando o Brasil no mercado de azeites premium.
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