
Engana-se quem tenta vender a tese de que a Federação Progressistas estaria se afastando do bolsonarismo para se realinhar ao governo Lula da Silva. Essa leitura, além de apressada, revela uma incompreensão profunda da dinâmica real da política nacional e, sobretudo, do cálculo estratégico da oposição. O Gazeta Hora1 ouviu de progressista graduado que a Federação "nunca esteve tão consciente de que colar no governo Lula 3 é, hoje, eleitoralmente desgastante, politicamente improdutivo e estrategicamente tóxico".
Basta olhar os números. A aprovação do governo patina, a credibilidade se esvai, a desaprovação chega a 53%, e a promessa de entrega não se materializou no cotidiano da população. Marketing há. Publicidade, sobra. Resultado concreto, falta. Diante desse cenário, não há racionalidade política em associar a imagem da Federação a um governo que enfrenta desgaste crescente e dificuldade de narrativa fora da propaganda oficial.
Então por que, nos últimos meses, ganhou corpo uma ofensiva para atrelar a Federação Progressistas ao Planalto? A resposta é simples e nada inocente: estratégia do próprio governo para confundir, desgastar e fragilizar a oposição, atingindo em cheio o Progressistas e, principalmente, seu principal expoente nacional, o senador Ciro Nogueira.
Esse movimento não surge do nada. Ele se intensifica a partir do momento em que Ciro se recusou a assinar a CPI que pedia o impeachment do ministro Alexandre de Moraes. A decisão, técnica, política e estrategicamente calculada, virou munição para que influenciadores, portais e blogs alinhados à esquerda passassem a bombardear as redes sociais com ataques direcionados. Oficialmente, o alvo é Ciro. Na prática, o objetivo é minar toda a Federação Progressistas e, por tabela, conservadores organizados.
E por que tanto esforço contra Ciro Nogueira? A resposta é velha, conhecida e direta. Como diz o dito popularm: não se chuta cachorro morto. Ciro incomoda porque é, goste-se ou não, uma das principais lideranças da oposição nacional. Tem trânsito em Brasília, articula com diferentes campos políticos e conhece, como poucos, o funcionamento interno do Congresso. É exatamente por isso que virou alvo prioritário.
A disputa não é apenas retórica. Ela é estrutural. Tanto a ala conservadora quanto a governista compreenderam que a próxima grande batalha política passa pelo Senado Federal, única Casa com prerrogativa constitucional para julgar o presidente da República e afastar ministros do Supremo Tribunal Federal. Nesse tabuleiro, figuras com capacidade de articulação, como Ciro Nogueira, representam risco real aos planos do governismo.
Nesse contexto, tenta-se vender outra narrativa: a de que a Federação Progressistas, formada pelo Partido Progressistas e pelo União Brasil, estaria se afastando do campo bolsonarista para retornar à base de Lula. A versão inclui, convenientemente, a ideia de que a Federação teria recusado uma aliança com o grupo ligado a Flávio Bolsonaro e, em paralelo, negociaria cargos e espaços no governo federal.
Trata-se menos de fato consumado e mais de narrativa interessada. O centrão sempre foi pragmático, é verdade. Mas pragmatismo não significa suicídio político. E hoje, associar-se a um governo em desgaste acelerado não é pragmatismo, é erro de cálculo.
A tentativa de colar a Federação Progressistas ao Planalto cumpre um papel claro: desorganizar a oposição, gerar ruído interno, criar desconfiança na base eleitoral conservadora e enfraquecer lideranças que ainda conseguem dialogar com diferentes segmentos do Congresso. Nesse jogo, Ciro Nogueira é visto como obstáculo, e obstáculos, na política, são atacados.
No fundo, o que está em curso não é uma reaproximação real da Federação com o governo Lula, mas uma disputa narrativa feroz pelo controle da opinião pública e pelo futuro do Senado. Quem não entende isso está analisando a política com lupa errada, ou fingindo não enxergar o óbvio.
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