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Internacional O PODER DO DINHEIRO

Democracia e liberdade em risco

Bilionários são indivíduos com um patrimônio líquido de, no mínimo, um bilhão (1.000.000.000) de unidades de uma moeda forte, como dólar ou euro, calculando-se subtraindo seus passivos (dívidas) dos seus ativos (bens e investimentos). Eles representam uma categoria de pessoas de altíssimo patrimônio, com fortunas que permitem um padrão de vida e influência significativamente diferente de milionários, embora muitos mantenham hábitos simples ou busquem ocultar parte de suas riquezas.

22/01/2026 às 07h31
Por: Josenildo Melo Fonte: https://www.vaticannews.va/pt.html
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Foto: https://exame.com/Gettyimages
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Desigualdade, a lei dos mais ricos

O relatório da Oxfam, publicado na abertura do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, denuncia a enorme concentração de riqueza nas mãos de poucos, enquanto 1 em cada 4 pessoas no mundo sofre de insegurança alimentar e metade da população mundial vive na pobreza.

Stefano Leszczynski – Vatican News

Em 2025, a riqueza dos bilionários atingiu um nível sem precedentes na história recente. De acordo com o novo relatório da Oxfam, apresentado na abertura do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, existem agora mais de 3.000 bilionários em todo o mundo, com uma riqueza total de US$ 18,3 trilhões. Isso representa um aumento de 16% em termos reais em comparação com o ano anterior e um ritmo três vezes superior à média dos últimos cinco anos.

Os super-ricos, cada vez mais ricos

“O relatório mais uma vez revela os vencedores e vencidos da economia global”, explica Misha Maslennikov, pesquisador e analista de políticas públicas da Oxfam Itália. “Estamos diante de uma quantidade exorbitante de riqueza, que cresceu 81% em comparação com 2020, o equivalente a aproximadamente oito vezes o PIB de um país como a Itália.” Essa riqueza, enfatiza a Oxfam, seria suficiente para erradicar a pobreza extrema no mundo 26 vezes. No entanto, o crescimento vertiginoso da riqueza dos super-ricos não foi acompanhado por nenhum progresso na redução da pobreza global: “A taxa de redução da pobreza permanece essencialmente inalterada há seis anos”, observa Maslennikov. “Se o crescimento econômico não se tornar inclusivo e melhor redistribuído, corremos o risco de não atingir a meta de eliminar a pobreza extrema até 2030 e de nos encontrarmos, em 2050, com um terço da população mundial — quase 3 bilhões de pessoas — ainda vivendo na pobreza.”

O poder do dinheiro

De acordo com a Oxfam, a acumulação extrema de riqueza não é um fenômeno neutro, mas alimenta um ciclo vicioso que também reforça a concentração do poder político. “No relatório, destacamos uma ligação estrutural entre a concentração de riqueza e a concentração de poder”, afirma Maslennikov. “Os indivíduos mais ricos usam seu poder econômico para orientar as políticas públicas em seu próprio benefício, em vez de fazê-lo no interesse coletivo.” Essa dinâmica, continua a Oxfam, representa uma falha dos sistemas democráticos: desigualdades extremas corroem o pacto cívico, destroem o tecido social e alimentam a desconfiança e a fragmentação. Em muitos países, a divisão territorial entre “lugares que importam” e “lugares que não importam” está se aprofundando — áreas deixadas para trás, onde o desenvolvimento estagna e cresce o consenso em torno de propostas políticas populistas ou extremistas, que prometem mudanças radicais, mas acabam consolidando o status quo.

Democracia e liberdade de informação em risco

A Oxfam também destaca o impacto das desigualdades nos sistemas de informação. “O controle da mídia é um dos principais canais pelos quais o poder econômico exerce uma influência desproporcional no debate público”, explica Maslennikov. “Sete dos maiores grupos de mídia do mundo são hoje controlados por bilionários, o que contribui para desacreditar alternativas mais igualitárias e legitimar moralmente as desigualdades.” Outra questão crucial é a dívida dos países mais pobres. A Oxfam considera isso um obstáculo real, que limita o espaço fiscal necessário para investir em educação, saúde e bem-estar. “Muitos países hoje gastam mais com o serviço da dívida do que com a saúde e a educação de seus cidadãos”, denuncia Maslennikov, destacando como isso acentua ainda mais a desigualdade global.

Recomendações da Oxfam

Diante desse cenário, a Oxfam pede uma mudança de paradigma: reestruturação e cancelamento da dívida para os países mais pobres, tributação mais equitativa globalmente e a introdução de um padrão internacional para tributar a riqueza extrema. A Oxfam pede que a Itália assuma um papel mais ativo, aumentando os recursos alocados à cooperação internacional para 0,7% da renda nacional bruta, apoiando uma tributação global dos super-ricos e promovendo a criação de um painel internacional sobre desigualdade, capaz de avaliar com rigor científico o impacto das políticas públicas sobre a desigualdade. “Há uma saída para o abismo da desigualdade”, conclui a Oxfam, “mas ela exige vontade política, cooperação internacional e a escolha de recolocar a igualdade, os direitos e a democracia no centro das decisões econômicas globais.”

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Sobre Josenildo Nascimento Melo é jornalista, estudou direito, é Bacharel em Serviço Social pelo ICF - Instituto Camillo Filho. É também licenciado em Filosofia pelo ICESPI - Instituto Católico de Estudos Superiores do Piauí.
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