Domingo, 28 de Junho de 2026
26°

Tempo nublado

Teresina, PI

Nordeste O TSUNAMI PETISTA

O Rio Grande do Norte à deriva: a sucessão impossível e o colapso político do governo Fátima Bezerra

Renúncias anunciadas, fuga da linha sucessória e uma gestão tão desgastada que ninguém quer assumir o leme do Estado

21/01/2026 às 05h04
Por: Douglas Ferreira
Compartilhe:
Renúncias anunciadas, fuga da linha sucessória e uma gestão tão desgastada que ninguém quer assumir o leme do Estado - Foto: Reprodução
Renúncias anunciadas, fuga da linha sucessória e uma gestão tão desgastada que ninguém quer assumir o leme do Estado - Foto: Reprodução

Entre os nove governadores do Nordeste, especialmente entre os gestores petistas, poucos casos expõem tamanho grau de esgotamento político e administrativo quanto o da governadora Fátima Bezerra. O Rio Grande do Norte vive hoje uma situação que ultrapassa o desgaste comum de fim de mandato e adentra o território do vexame institucional. O governo tornou-se tão pesado que a sucessão passou a ser vista não como prêmio, mas como castigo.

Com o olhar voltado para uma cadeira no Senado em 2026, Fátima Bezerra precisa, por força da lei eleitoral, renunciar ao cargo caso confirme a candidatura. O problema começa exatamente aí. O primeiro na linha sucessória, o vice-governador Walter Alves, comunicou oficialmente que não assumirá o governo. Mais do que isso, anunciou que também renunciará, sob o argumento de que pretende disputar uma vaga na Assembleia Legislativa.

A recusa do vice não é apenas um gesto político. É um sintoma. Walter Alves sinaliza que assumir o governo, mesmo por poucos meses, pode representar um passivo eleitoral difícil de carregar. Governar um Estado combalido, com finanças frágeis, serviços públicos pressionados e alto desgaste político, não é exatamente um ativo para quem busca votos.

O segundo na linha sucessória é o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira de Souza, que também é pré-candidato nas eleições de 2026. Pela mesma lógica, assumir o Executivo significaria herdar um governo impopular e dividir a conta de um projeto que dá claros sinais de esgotamento. O resultado é um vácuo institucional que empurra a responsabilidade para o terceiro da fila.

É aí que entra o presidente do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, o desembargador Ibanez Monteiro. Pela Constituição estadual e pelas regras gerais do ordenamento jurídico, o chefe do Judiciário assume interinamente o governo quando governador e vice renunciam e o presidente da Assembleia está impedido. Tecnicamente, ele não pode se recusar sem apresentar justificativa legal robusta, mas, politicamente, a resistência é compreensível.

O temor não é institucional, é político. Assumir o governo significa administrar uma bomba de efeito retardado instalada no Palácio de Despachos de Lagoa Nova. Dívidas, greves latentes, crise na segurança, gargalos na saúde e um ambiente político hostil. Ainda que não dispute eleição, o presidente do TJ sabe que sua imagem pode ser arranhada ao conduzir um governo em frangalhos.

Confirmadas as renúncias de Fátima e Walter Alves, o cenário mais provável é a realização de eleições indiretas. Nesse modelo, o governador não é escolhido pelo voto popular, mas pelos deputados estaduais, em votação na Assembleia Legislativa. Trata-se de um mandato tampão, válido apenas até o fim do período atual, sem nova eleição direta.

Nesse tipo de eleição, qualquer cidadão que atenda aos requisitos constitucionais pode ser escolhido, desde que consiga maioria entre os parlamentares. Já há, inclusive, nomes ventilados no campo governista, como secretários e deputados ligados ao PT. O problema é que poucos parecem dispostos a assumir um governo politicamente falido.

Enquanto isso, Walter Alves já reposiciona suas peças, alinhando-se a forças de oposição e ao grupo liderado pelo prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, que desponta como favorito nas pesquisas para o governo estadual. O gesto não é apenas eleitoral, é um atestado público de ruptura com o projeto de Fátima Bezerra.

No fundo, a pergunta que ecoa nos bastidores é simples e cruel: por que ninguém quer assumir o governo? A resposta também é direta. Porque a gestão de Fátima Bezerra se tornou politicamente tóxica. Alta rejeição, promessas não cumpridas, dificuldades fiscais persistentes e incapacidade de construir uma sucessão minimamente organizada transformaram o Palácio em um fardo.

O Rio Grande do Norte assiste, assim, a uma cena rara e reveladora. Um governo tão desgastado que seus próprios aliados fogem da cadeira principal. Quando até a linha sucessória entra em colapso, o problema já não é eleitoral. É estrutural.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
A NOTÍCIA E O FATO
A NOTÍCIA E O FATO
Sobre Douglas Ferreira é multimídia. Além de jornalista, é bacharel em Direito. Foi repórter da TV Clube, afiliada da Rede Globo, por 10 anos e, em Caxias, no Maranhão, apresentou o programa “Fala Caxias”. Fundou e dirigiu por seis anos a Folha do Cocais. Foi secretário de Comunicação da Prefeitura de Caxias e retornou a Teresina como âncora da TV Meio Norte. Por 20 anos, reportou e apresentou na TV Antena 10, afiliada da Record. Também foi assessor de imprensa do Tribunal de Justiça do Piauí e passou por rádios e pelos maiores portais do Estado. Sua vida é o jornalismo. No Sistema Move de Comunicação, foi editor do Portal Move Notícias e apresentador do Business Cast, do canal movetvweb no YouTube. Agora, está à frente do Gazeta Hora1.
Teresina, PI Atualizado às 09h01 - Fonte: ClimaTempo
26°
Tempo nublado

Mín. 23° Máx. 32°

Seg 36°C 22°C
Ter 36°C 21°C
Qua 36°C 20°C
Qui 37°C 23°C
Sex 36°C 25°C
Horóscopo
Áries
Touro
Gêmeos
Câncer
Leão
Virgem
Libra
Escorpião
Sagitário
Capricórnio
Aquário
Peixes