
A apreensão de R$ 1,5 milhão em espécie no estacionamento do Theresina Shopping, ocorrida nesta quinta-feira (12), trouxe à tona um cenário suspeito envolvendo figuras da política piauiense. O dinheiro apreendido pertenceria a Roberto Silva de Oliveira, candidato a vereador pelo partido Agir, liderado por Gustavo Henrique, ambos com laços diretos com a campanha do petista Fábio Novo.
Além da grande quantia em dinheiro, no veículo haveria farto material de campanha eleitoral no momento da abordagem. A Polícia Federal (PF) agiu após uma denúncia sobre o transporte de uma quantia significativa, retirada de uma agência bancária na capital. O dinheiro, predominantemente em notas de R$ 50, foi encontrado no carro do suspeito, junto com material gráfico de campanha com o CNPJ do candidato.
A operação levanta questões cruciais sobre a origem e destino desses recursos. Estaria o montante sendo utilizado para compra de apoio político de lideranças ou, mais diretamente, para compra de votos dos eleitores? Essa prática, conhecida por "pancadinha", é historicamente usada para garantir favores durante eleições. A apreensão ocorre em um momento delicado para a campanha de Fábio Novo, candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), e lança dúvidas sobre os bastidores da política local.
O delegado Jorge Nunes explicou que eventual relação do candidato com o dinheiro apreendido será investigada. Segundo Nunes, “as investigações são voltadas para apurar a origem desse dinheiro, sobre a ilicitude ou não desse dinheiro. A gente não pode afirmar ainda se ela tem ou não cunho eleitoral, essa informação vai ser apurada ao longo das investigações”.
Roberto Silva de Oliveira não se manifestou sobre o assunto até a conclusão dessa reportagem.
O que torna o caso ainda mais polêmico é a ligação de Roberto Silva e Gustavo Henrique com outros episódios controversos. Gustavo, conhecido por atuar como intermediário de apoios políticos, já havia sido envolvido em esquemas financeiros em campanhas passadas. Além disso, outro aliado da campanha de Fábio Novo, também do Agir36, está sendo investigado por um golpe de R$ 3 milhões contra a Caixa Econômica Federal, reforçando o clima de desconfiança ao redor do grupo.
O homem que supostamente seria o 'dono' da dinheirama possui fotos públicas ao lado de Fábio Novo, do governador Rafael Fonteles, e do ministro José Wellington Barroso de Araújo Dias, evidenciando suas conexões com a cúpula política piauiense. O envolvimento de figuras de alto escalão do PT traz ainda mais repercussão para o caso.
Com as investigações da Polícia Federal apontando para lavagem de dinheiro e associação criminosa, o episódio se configura como um duro golpe na imagem do candidato petista, que se apresenta como o "novo" na política. A apreensão dessa quantia em plena campanha eleitoral levanta dúvidas sobre a transparência de suas alianças e práticas.
Agora, a PF investiga se há outros crimes envolvidos além de lavagem de dinheiro, como corrupção eleitoral. Em sendo Roberto Silva o 'proprietário' do dinheiro, o fato colocaria o foco sobre a campanha de Fábio Novo, suscitando uma reflexão sobre os limites entre o discurso de renovação política e as velhas práticas eleitorais que tanto prejudicam a democracia no país.
Confira a nota divulgada pela PF sobre o caso:
A Polícia Federal apreendeu, na tarde desta quinta-feira (12/9), o montante de R$ 1,5 milhão em espécie logo após o saque em uma agência bancária em Teresina/PI. Na ação, um homem foi preso em flagrante pelos crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa.
As diligências foram realizadas depois que a PF recebeu denúncia de transporte de vultosos valores em espécie. Durante a abordagem, foi encontrado material de campanha eleitoral no interior do veiculo.
Diante dos fatos, as investigações prosseguem para a identificação de possível crime antecedente ao de lavagem de dinheiro.



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